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O carnaval em Olinda teve mais do que o meu namorado apalpando a minha melhor amiga (antes de se assustar, leia o penúltimo post). Quem me disse que carnaval em Olinda é inesquecível, não estava brincando.
Após passarmos vários dias na rotina de subir ladeira de manhã - descer ladeira de tarde - tomar cachaça de noite - apalpar de madrugada, nos preparamos praquela que seria a última noite do carnaval. Fomos ao Pátio de São Pedro ver o show de Luiz Melodia. Camilo, Monique, o irmão do amigo que nos acolheu em sua casa, Thiago, e eu.
O show de uma banda muito legal, tão legal que eu esqueci o nome, começou e ficamos por ali, perto do palco. Logo bateu aquela vontade maravilhosa de ir no banheiro, que só acontece quando você está cercada por centenas de pessoas. A idéia de ir sozinha ao banheiro me angustiava porque eu sou cagona mesmo e não gosto de dar nem dois passos sozinha em Recife. Convenhamos, Recife parece Gotham City. Só que sem o Batman. Então, eu voltei para o bar que estávamos antes do show (o motivo da minha então ida ao banheiro).
Quando eu pus o meu pezinho no chão do bar, dois caras começam a se estapear da forma mais ridícula possível dizendo coisas do tipo "saia daqui seu viado, vá dar a bunda a outro". Poft! Zump! Bam! Alakazam! Como uma lady de bexiga cheia, eu passei discretamente entre golpes de Kung Fu mal elaborados e cadeiras voadoras. Parecia o Saloon antigo. Mas só na minha imaginação. A verdade é que a briga foi apartada logo por um policial que se encontrava o tempo todo no lustre (deve ser ali que eles ficam, porque ninguém nunca os vê).
Até aí, tudo bem. Esperamos pelo show de Melodia e tínhamos planos de ir logo em seguida ao show de Pato Fu, que ficava perto dali. O show de Luiz começa e todo mundo se empolga. Grita, se descabela, empurra. É lindo. É aí que meu pesadelo começa. Mas antes, uma introdução:
Em novembro fui com Camilo e dois amigos passar umas semanas na Chapada Diamantina. Após o primeiro dia de caminhada, notei que minha unha do dedão do pé (alguém está jantando?) estava doendo muito, resultado da pressão de um tênis apertado. No dia seguinte a unha estava vermelha, havia sangue entre ela e o dedo. E assim permaneceu até o carnaval. Não parecia ser uma unha muito segura de si. Mas eu a amava.
Em uma das últimas músicas do show, Luiz Melodia pegou uma sombrinha de frevo e começou a dançar com ela. Laralí, laralá... E eu achando o máximo. De repente ele decide presentear a platéia jogando a sombrinha. Eu já pensando "alguém vai voltar pra casa cego".
Ele joga.
A sombrinha começa a girar no ar, a girar, a girar e, vagarosamente (eu estava vendo tudo em câmera lenta), começa a vir em minha direção. Mas vinha de uma forma tão segura que eu nem estava acreditando na possibilidade de ser a escolhida pela sobrinha. Antes de eu levantar os braços (mais na intenção de proteger minhas córneas do que propriamente para agarrar a sombrinha), um ser sombrio e demente, conduzido pelo Cão, se jogou na minha frente pra agarrar a maldita sombrinha. Outras pessoas fizeram o mesmo, eu achei que até os músicos fossem se jogar. Foi quando eu senti um chute e uma cosquinha no pé.
Quando eu olhei pro meu pé, vi que haviam arrancado a minha unha do dedão do pé esquerdo. Isso, pasmem. E pior: a unha ainda se sustentava pela base num ângulo de 90º em relação ao dedo. Eu fiquei uns segundos sem entender o que tinha acontecido. Olhei, olhei. Nem disse nada a Camilo, eu queria primeiro entender o ocorrido. Quando eu entendi, passei mais um tempo para acreditar que minha unha havia sido arrancada do meu pé POR CAUSA DE UMA SOMBRINHA DE FREVO! Francamente!
Serenamente, eu apontei a unha para Camilo e Thiago (Monique estava com uns amigos). Eles me levaram ao posto médico. Do dedo jorrava sangue, era impossível tocar. Os competentes médicos não sabiam o que fazer comigo. Acabaram por fazer um curativo que deve ter consumido cinco metros de gaze e dois quilos de esparadrapo (quem viu o curativo sabe que eu não estou exagerando). O peso do curativo tornou minha ida ao show de Pato Fu impossível. Revoltada, segui para casa e passei três dias sem andar.
(quatro semanas depois)
Minha unha finalmente caiu, outra está nascendo por cima. Estou tentando levar a vida como uma pessoa normal, apesar da discriminação. As pessoas me apontam na rua, olham torto. Meu namoro acabou. Dedico esse post a todas as pessoas que já perderam alguma unha na vida, em especial a Monique, que já perdeu a unha do dedão da mão ao tentar estudar em si mesma os efeitos de uma porta de carro fechada em cima do dedo.
Obs: o iluminado que souber como faço para aumentar a fonte do blog, por favor, se manifeste.
~~º~~~~º~~~~º~~~~º~~~~º~~
O carnaval em Olinda teve mais do que o meu namorado apalpando a minha melhor amiga (antes de se assustar, leia o penúltimo post). Quem me disse que carnaval em Olinda é inesquecível, não estava brincando.
Após passarmos vários dias na rotina de subir ladeira de manhã - descer ladeira de tarde - tomar cachaça de noite - apalpar de madrugada, nos preparamos praquela que seria a última noite do carnaval. Fomos ao Pátio de São Pedro ver o show de Luiz Melodia. Camilo, Monique, o irmão do amigo que nos acolheu em sua casa, Thiago, e eu.
O show de uma banda muito legal, tão legal que eu esqueci o nome, começou e ficamos por ali, perto do palco. Logo bateu aquela vontade maravilhosa de ir no banheiro, que só acontece quando você está cercada por centenas de pessoas. A idéia de ir sozinha ao banheiro me angustiava porque eu sou cagona mesmo e não gosto de dar nem dois passos sozinha em Recife. Convenhamos, Recife parece Gotham City. Só que sem o Batman. Então, eu voltei para o bar que estávamos antes do show (o motivo da minha então ida ao banheiro).
Quando eu pus o meu pezinho no chão do bar, dois caras começam a se estapear da forma mais ridícula possível dizendo coisas do tipo "saia daqui seu viado, vá dar a bunda a outro". Poft! Zump! Bam! Alakazam! Como uma lady de bexiga cheia, eu passei discretamente entre golpes de Kung Fu mal elaborados e cadeiras voadoras. Parecia o Saloon antigo. Mas só na minha imaginação. A verdade é que a briga foi apartada logo por um policial que se encontrava o tempo todo no lustre (deve ser ali que eles ficam, porque ninguém nunca os vê).
Até aí, tudo bem. Esperamos pelo show de Melodia e tínhamos planos de ir logo em seguida ao show de Pato Fu, que ficava perto dali. O show de Luiz começa e todo mundo se empolga. Grita, se descabela, empurra. É lindo. É aí que meu pesadelo começa. Mas antes, uma introdução:
Em novembro fui com Camilo e dois amigos passar umas semanas na Chapada Diamantina. Após o primeiro dia de caminhada, notei que minha unha do dedão do pé (alguém está jantando?) estava doendo muito, resultado da pressão de um tênis apertado. No dia seguinte a unha estava vermelha, havia sangue entre ela e o dedo. E assim permaneceu até o carnaval. Não parecia ser uma unha muito segura de si. Mas eu a amava.
Em uma das últimas músicas do show, Luiz Melodia pegou uma sombrinha de frevo e começou a dançar com ela. Laralí, laralá... E eu achando o máximo. De repente ele decide presentear a platéia jogando a sombrinha. Eu já pensando "alguém vai voltar pra casa cego".
Ele joga.
A sombrinha começa a girar no ar, a girar, a girar e, vagarosamente (eu estava vendo tudo em câmera lenta), começa a vir em minha direção. Mas vinha de uma forma tão segura que eu nem estava acreditando na possibilidade de ser a escolhida pela sobrinha. Antes de eu levantar os braços (mais na intenção de proteger minhas córneas do que propriamente para agarrar a sombrinha), um ser sombrio e demente, conduzido pelo Cão, se jogou na minha frente pra agarrar a maldita sombrinha. Outras pessoas fizeram o mesmo, eu achei que até os músicos fossem se jogar. Foi quando eu senti um chute e uma cosquinha no pé.
Quando eu olhei pro meu pé, vi que haviam arrancado a minha unha do dedão do pé esquerdo. Isso, pasmem. E pior: a unha ainda se sustentava pela base num ângulo de 90º em relação ao dedo. Eu fiquei uns segundos sem entender o que tinha acontecido. Olhei, olhei. Nem disse nada a Camilo, eu queria primeiro entender o ocorrido. Quando eu entendi, passei mais um tempo para acreditar que minha unha havia sido arrancada do meu pé POR CAUSA DE UMA SOMBRINHA DE FREVO! Francamente!
Serenamente, eu apontei a unha para Camilo e Thiago (Monique estava com uns amigos). Eles me levaram ao posto médico. Do dedo jorrava sangue, era impossível tocar. Os competentes médicos não sabiam o que fazer comigo. Acabaram por fazer um curativo que deve ter consumido cinco metros de gaze e dois quilos de esparadrapo (quem viu o curativo sabe que eu não estou exagerando). O peso do curativo tornou minha ida ao show de Pato Fu impossível. Revoltada, segui para casa e passei três dias sem andar.
(quatro semanas depois)
Minha unha finalmente caiu, outra está nascendo por cima. Estou tentando levar a vida como uma pessoa normal, apesar da discriminação. As pessoas me apontam na rua, olham torto. Meu namoro acabou. Dedico esse post a todas as pessoas que já perderam alguma unha na vida, em especial a Monique, que já perdeu a unha do dedão da mão ao tentar estudar em si mesma os efeitos de uma porta de carro fechada em cima do dedo.
Obs: o iluminado que souber como faço para aumentar a fonte do blog, por favor, se manifeste.
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