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Ontem:


Desocupados:

Sexta-feira, Junho 29, 2007

Essa semana eu passei por algumas experiências inusitadas. Na quarta-feira, 27 de junho, Monique, Fábio e eu decidimos ir ao Centro Histórico, onde um belo forró pé-de-serra (e uma tempestade) nos aguardava. O Gabinete de Fuba, um bar que prometia triângulo, sanfoneiro e zabumba, foi o escolhido.

A chuva começou e colocou pra dentro do bar todos os mendigos e hippies da praça. O cheiro de enxofre dos suvacos que não sabiam o que era água, deixou três mortos e oito feridos. Todas as pessoas do bar, juntas, tinham apenas 17 dentes. Era bonito de se ver. Mas uma criatura em especial me chamou a atenção. O mendigo-rei, ou lascado-mor, como queiram, além de exalar um odor, com eu diria... marcante, era uma figura legal de se observar. Ele tinha apenas um dente solitário. Uma metade dele (do dente) estava podre, a outra metade não existia.

Em determinado momento da noite, notei que o bar era composto, em sua grande maioria, por homens. Mesmo assim o zabumbeiro insistiu que formássemos uma quadrilha (de São João). Fábio foi disputado com grande violência por mim e por Monique, tendo eu vencido por motivos óbvios. Monique ficou com um de oito dentes.

Eu realmente não lembrava de como se dançava quadrilha, e tive grande surpresa quando o filho da puta do zabumbeiro gritou "BALANCÊ!" E lá vai todo mundo trocar de par. Adivinha com quem eu dancei? Claro, com o Mendigo-Rei! Eu tentei pegar na mão dele, mas não consegui. Entre os dedos dele e os meus havia uma crosta, um casca dura de grude que conservava ainda os micróbios do São João de 1982 daquele homem. Eu fiz o que pediram e balancei; sacudi tanto aquele coitado, crente que tava dançando. Quando eu o soltei, ele saiu descontrolado pelo salão e se atracou com outro ser humano. Acho que ele nem sabia o que tava acontecendo.

Depois de dançar com quatro banguelos e cinco bêbados, me agarrei a Fábio e não parei de dançar nem quando ele quis ir ao banheiro. Paguei a conta dançando com ele, saí do bar dançando, entrei no carro dançando e só larguei porque ele teve que descer do carro. Uma pena.

Tive apenas quatro horas de sono antes de acompanhar mi madre ao hospital no qual ela iria passar por uma cirurgia pra tirar as varizes. Demos entrada no hospital e ela seguiu pro seu quarto. A cirurgia demorou 40 min para começar, porque ela estava esperando com a anestesista em uma sala, enquanto o médico e a enfermeira aguardavam em outra. Fiquei bastante aliviada quando vi minha mãe sob responsabilidade de equipe tão competente.

Ela voltou pro quarto toda enfaixada e gemendo de dor. Lembrava uma múmia, a diferença é que a pele da minha mãe é melhor. Ok, existem outras diferenças entre minha mãe e uma múmia. Mas o que importa é que ela, a despeito da equipe fajuta, está bem. Voltou pra casa no dia seguinte, meu irmão foi nos buscar. Minha mãe estava contando pra ele como havia sido a cirurgia. Disse que na cirurgia o médico não tirou a safena dela, apesar disso ser muito comum. Então meu irmão supreso:

"A safena?! Mas é tão importante! Quando se tira, não se faz nada com ela? Simplesmente a joga fora?"

Não, meu filho, o médico leva pra casa e faz uma sopa. Ô, meu deus, é cada uma. Bom, o doutor receitou repouso e disse que ela evitasse andar. O passinho dela tá bem curto, ela anda a 2m por hora, é lindo. Mas agora me dêem licença, eu vou cuidar da moça :)


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 7:47:57 PM

Sua última chance:



~~º~~~~º~~~~º~~~~º~~~~º~~



Sexta-feira, Junho 29, 2007

Essa semana eu passei por algumas experiências inusitadas. Na quarta-feira, 27 de junho, Monique, Fábio e eu decidimos ir ao Centro Histórico, onde um belo forró pé-de-serra (e uma tempestade) nos aguardava. O Gabinete de Fuba, um bar que prometia triângulo, sanfoneiro e zabumba, foi o escolhido.

A chuva começou e colocou pra dentro do bar todos os mendigos e hippies da praça. O cheiro de enxofre dos suvacos que não sabiam o que era água, deixou três mortos e oito feridos. Todas as pessoas do bar, juntas, tinham apenas 17 dentes. Era bonito de se ver. Mas uma criatura em especial me chamou a atenção. O mendigo-rei, ou lascado-mor, como queiram, além de exalar um odor, com eu diria... marcante, era uma figura legal de se observar. Ele tinha apenas um dente solitário. Uma metade dele (do dente) estava podre, a outra metade não existia.

Em determinado momento da noite, notei que o bar era composto, em sua grande maioria, por homens. Mesmo assim o zabumbeiro insistiu que formássemos uma quadrilha (de São João). Fábio foi disputado com grande violência por mim e por Monique, tendo eu vencido por motivos óbvios. Monique ficou com um de oito dentes.

Eu realmente não lembrava de como se dançava quadrilha, e tive grande surpresa quando o filho da puta do zabumbeiro gritou "BALANCÊ!" E lá vai todo mundo trocar de par. Adivinha com quem eu dancei? Claro, com o Mendigo-Rei! Eu tentei pegar na mão dele, mas não consegui. Entre os dedos dele e os meus havia uma crosta, um casca dura de grude que conservava ainda os micróbios do São João de 1982 daquele homem. Eu fiz o que pediram e balancei; sacudi tanto aquele coitado, crente que tava dançando. Quando eu o soltei, ele saiu descontrolado pelo salão e se atracou com outro ser humano. Acho que ele nem sabia o que tava acontecendo.

Depois de dançar com quatro banguelos e cinco bêbados, me agarrei a Fábio e não parei de dançar nem quando ele quis ir ao banheiro. Paguei a conta dançando com ele, saí do bar dançando, entrei no carro dançando e só larguei porque ele teve que descer do carro. Uma pena.

Tive apenas quatro horas de sono antes de acompanhar mi madre ao hospital no qual ela iria passar por uma cirurgia pra tirar as varizes. Demos entrada no hospital e ela seguiu pro seu quarto. A cirurgia demorou 40 min para começar, porque ela estava esperando com a anestesista em uma sala, enquanto o médico e a enfermeira aguardavam em outra. Fiquei bastante aliviada quando vi minha mãe sob responsabilidade de equipe tão competente.

Ela voltou pro quarto toda enfaixada e gemendo de dor. Lembrava uma múmia, a diferença é que a pele da minha mãe é melhor. Ok, existem outras diferenças entre minha mãe e uma múmia. Mas o que importa é que ela, a despeito da equipe fajuta, está bem. Voltou pra casa no dia seguinte, meu irmão foi nos buscar. Minha mãe estava contando pra ele como havia sido a cirurgia. Disse que na cirurgia o médico não tirou a safena dela, apesar disso ser muito comum. Então meu irmão supreso:

"A safena?! Mas é tão importante! Quando se tira, não se faz nada com ela? Simplesmente a joga fora?"

Não, meu filho, o médico leva pra casa e faz uma sopa. Ô, meu deus, é cada uma. Bom, o doutor receitou repouso e disse que ela evitasse andar. O passinho dela tá bem curto, ela anda a 2m por hora, é lindo. Mas agora me dêem licença, eu vou cuidar da moça :)


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 7:47:57 PM

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