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Desocupados:

Sexta-feira, Maio 02, 2008

O carnaval em Olinda teve mais do que o meu namorado apalpando a minha melhor amiga (antes de se assustar, leia o penúltimo post). Quem me disse que carnaval em Olinda é inesquecível, não estava brincando.

Após passarmos vários dias na rotina de subir ladeira de manhã - descer ladeira de tarde - tomar cachaça de noite - apalpar de madrugada, nos preparamos praquela que seria a última noite do carnaval. Fomos ao Pátio de São Pedro ver o show de Luiz Melodia. Camilo, Monique, o irmão do amigo que nos acolheu em sua casa, Thiago, e eu.

O show de uma banda muito legal, tão legal que eu esqueci o nome, começou e ficamos por ali, perto do palco. Logo bateu aquela vontade maravilhosa de ir no banheiro, que só acontece quando você está cercada por centenas de pessoas. A idéia de ir sozinha ao banheiro me angustiava porque eu sou cagona mesmo e não gosto de dar nem dois passos sozinha em Recife. Convenhamos, Recife parece Gotham City. Só que sem o Batman. Então, eu voltei para o bar que estávamos antes do show (o motivo da minha então ida ao banheiro).

Quando eu pus o meu pezinho no chão do bar, dois caras começam a se estapear da forma mais ridícula possível dizendo coisas do tipo "saia daqui seu viado, vá dar a bunda a outro". Poft! Zump! Bam! Alakazam! Como uma lady de bexiga cheia, eu passei discretamente entre golpes de Kung Fu mal elaborados e cadeiras voadoras. Parecia o Saloon antigo. Mas só na minha imaginação. A verdade é que a briga foi apartada logo por um policial que se encontrava o tempo todo no lustre (deve ser ali que eles ficam, porque ninguém nunca os vê).

Até aí, tudo bem. Esperamos pelo show de Melodia e tínhamos planos de ir logo em seguida ao show de Pato Fu, que ficava perto dali. O show de Luiz começa e todo mundo se empolga. Grita, se descabela, empurra. É lindo. É aí que meu pesadelo começa. Mas antes, uma introdução:

Em novembro fui com Camilo e dois amigos passar umas semanas na Chapada Diamantina. Após o primeiro dia de caminhada, notei que minha unha do dedão do pé (alguém está jantando?) estava doendo muito, resultado da pressão de um tênis apertado. No dia seguinte a unha estava vermelha, havia sangue entre ela e o dedo. E assim permaneceu até o carnaval. Não parecia ser uma unha muito segura de si. Mas eu a amava.

Em uma das últimas músicas do show, Luiz Melodia pegou uma sombrinha de frevo e começou a dançar com ela. Laralí, laralá... E eu achando o máximo. De repente ele decide presentear a platéia jogando a sombrinha. Eu já pensando "alguém vai voltar pra casa cego".

Ele joga.

A sombrinha começa a girar no ar, a girar, a girar e, vagarosamente (eu estava vendo tudo em câmera lenta), começa a vir em minha direção. Mas vinha de uma forma tão segura que eu nem estava acreditando na possibilidade de ser a escolhida pela sobrinha. Antes de eu levantar os braços (mais na intenção de proteger minhas córneas do que propriamente para agarrar a sombrinha), um ser sombrio e demente, conduzido pelo Cão, se jogou na minha frente pra agarrar a maldita sombrinha. Outras pessoas fizeram o mesmo, eu achei que até os músicos fossem se jogar. Foi quando eu senti um chute e uma cosquinha no pé.

Quando eu olhei pro meu pé, vi que haviam arrancado a minha unha do dedão do pé esquerdo. Isso, pasmem. E pior: a unha ainda se sustentava pela base num ângulo de 90º em relação ao dedo. Eu fiquei uns segundos sem entender o que tinha acontecido. Olhei, olhei. Nem disse nada a Camilo, eu queria primeiro entender o ocorrido. Quando eu entendi, passei mais um tempo para acreditar que minha unha havia sido arrancada do meu pé POR CAUSA DE UMA SOMBRINHA DE FREVO! Francamente!

Serenamente, eu apontei a unha para Camilo e Thiago (Monique estava com uns amigos). Eles me levaram ao posto médico. Do dedo jorrava sangue, era impossível tocar. Os competentes médicos não sabiam o que fazer comigo. Acabaram por fazer um curativo que deve ter consumido cinco metros de gaze e dois quilos de esparadrapo (quem viu o curativo sabe que eu não estou exagerando). O peso do curativo tornou minha ida ao show de Pato Fu impossível. Revoltada, segui para casa e passei três dias sem andar.

(quatro semanas depois)

Minha unha finalmente caiu, outra está nascendo por cima. Estou tentando levar a vida como uma pessoa normal, apesar da discriminação. As pessoas me apontam na rua, olham torto. Meu namoro acabou. Dedico esse post a todas as pessoas que já perderam alguma unha na vida, em especial a Monique, que já perdeu a unha do dedão da mão ao tentar estudar em si mesma os efeitos de uma porta de carro fechada em cima do dedo.


Obs: o iluminado que souber como faço para aumentar a fonte do blog, por favor, se manifeste.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 9:59:45 PM

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Quarta-feira, Março 12, 2008

Outro motivo que me fez ficar afastada por uns tempos, foi o término de um namoro de quatro anos e o começo de outro. Fábio e eu decidimos que estaríamos melhor como amigos.

Mas já no mesmo fim de semana em que terminamos, conheci a próxima vítima: Camilo. Foram 48h de peleja até o abate. Nos demos muito bem, começamos um namoro, mas eu precisava unir os meus dois melhores amigos: o ex e o atual.

Rejeitando todas as regras que regem essa sociedade idiota e recusando todos os avisos das pessoas de cabeça pequena, consegui o que queria e agora todos são felizes. Bebemos, saimos juntos, rimos e enfrentamos as fofocas.

É preciso dizer que Camilo tem um sono deveras estranho, com direito a bruxismo, pesadelo, sonambulismo e outras atitudes suspeitas. Numa bela noite, depois de um show cansativo, eu tive a genial idéia de dormirmos todos na casa de Fábio (que ficava perto do local do show). Não, ninguém fez suruba. Bando de tarado. Mas no meio da madrugada, Fábio foi no banheiro e, não me pergunte como, acabamos trocando de lugar nas camas (duas camas juntas de solteiro). Camilo, muito carinhoso como é, foi acariciar a namorada e acabou dando um belíssimo beijinho no cotovelo peludo de Fábio. Fábio deu o que nós nordestinos chamamos de pinote e... Lembrando que "pinote" não é "cu".

pinote

de pino

s. m.,
salto de cavalgadura quando escouceia;
pulo;
pirueta;
pincho.


Se bem que dizer que o cara deu uma pirueta depois de ter recebido um beijo também fica altamente gay, né? (Ele vai me matar quando ler esse post). Continuando... Fábio deu um pulo da cama. Reza a lenda que eu, meio dormindo, meio acordada, incomodada com a perturbação, perguntei "vocês tão namorando, é?!" e voltei a dormir. Eu não lembro disso, mas tudo bem.

Depois desse acontecimento, Fábio nunca mais quis dormir perto de Camilo, ele agora se refugia no sofá. "É mais seguro. Não que eu me importe, mas eu não quero deixar o cara constrangido, né?". Hahahaha Tá bom...

Dizem que rolou ainda um diálogo entre eles no momento do beijo:

- Camilo, ô, Camilo, Luci tá do outro lado.
- Eu sei...

Já em fevereiro, Camilo, Monique e eu, fomos passar o carnaval em Olinda, na casa de um amigo. Depois do dia de intenso frevo e pisadas no pé, dormíamos bravamente em colchonetes pelo chão. Em uma certa manhã, Camilo acorda, olha pra mim e confessa: "acho que eu peguei na bunda de Monique". Dessa vez ele foi mais esperto.

Disseram que Monique avisou:

- Camilo, tu tas pegando na minha bunda...
- Foi mal, achei que fosse Fábio.

É, é difícil a vida de namorada de sonâmbulo tarado. Mas quando ele me acerta, vale a pena.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 12:42:47 PM

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Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Parte II

Depois de sair da escola, fui direto pra casa preparar a aula do dia seguinte, já pensando em desis...

Opa, nada disso! Eu sou uma pereirinha! HAHAHA ("piada" interna para a minha amiga Tal, pistoleira barata, que fez 32 anos dia 24).

Sim, mas... Como a Globo me fez acreditar que eu sou brasileira e não desisto nunca, eu respirei fundo no dia seguinte pra dar o segundo dia de aula. Na bolsa, além da sombrinha e do celular, iam um livro de História, um soco inglês e um spray de pimenta. Só pra garantir. Eu tava mais calma, afinal, depois do dia anterior, o que viesse seria lucro.

Admito que esse dia foi bem melhor. Dei a primeira aula do dia e, quando o sinal tocou, duas alunas vieram conversar comigo.

- Professora, a senhora é de onde?
- De Campina Grande.
- Nossa, a senhora nem parece ser daqui!

Lembram daquele filme ET? É, eu também lembrei dele. E outra, A SENHORA? Esses jovens de hoje em dia não respeitam mais ninguém! No meu tempo eu teria dado umas boas palmadas! Bom, depois eu voltei pra sala.

Na aula seguinte, entrou um daqueles caras que representam tal escola de informática trazendo algum desconto babaca pra aulas de computação. "Com este panfleto você irá ganhar um desconto de 10% no curso de digitação". Como meus alunos eram muito educados e decentes, ficavam o tempo inteiro tentando atrapalhar o que o cara tinha a dizer perguntando coisas sem sentido. Aliás, igual como eles fazem na aula.

A encarnação de Satanás, que na aula passada perguntou se podia me chamar de Lu, ficava interrompendo o pobre coitado. Hora de eu entrar em ação! No dia anterior eu teria mandando ela calar a boca, teria me estressado. Mas naquele dia eu me limitei a olhar pros olhinhos dela e fazer uma cara de "mais um pio e eu arranco seu clitóris com um alicate". E ela se calou. Foi lindo.

E mais ou menos assim se seguiu o restante das aulas. Agora percebo que deveria me sentir mal pelo futuro deles, não pelo meu. De qualquer forma, o que está feito, está feito (adoro essas frases que não querem dizer nada).

Agora, só pra finalizar, queria comentar sobre um comentário do último post:

"Enfim, realmente não entendo o porque de passar 4 anos estudando para ser professora! Muito menos de história!"

Espero que isso tenha sido um comentário irônico.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 5:05:05 PM

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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

I Parte

Peço perdão aos que inutilmente passaram seis meses entrando aqui à procura de atualizações, mas eu precisei desse tempo pra vagabundar calmamente sem pressões de nenhum tipo. Mas agora vou começar a explicar o que aconteceu pra que eu passasse todo esse tempo desaparecida do Circo que vos acolhe.

Ano passado, pelos idos de outubro, eu passei pela experiência mais traumática e, ao mesmo tempo, mais encantadora da minha vida: dei aula numa escola. Sim, porque por algum motivo eu estou há quatro anos estudando pra ser professora (de História). Passei quatro anos idealizando minha primeira aula, o rosto dos meus alunos, minhas técnicas de ensino e as torturas que aplicaria aos alunos desinteressados.

Na verdade, as aulas faziam parte de um estágio de apenas 20h/aula em alguma escola pública. O negócio era simples, duas semanas na escola, relatório final à universidade e diploma na mão. Mas não foi tão fácil. Não. Nunca é. Olha o nome do blog!

O colégio escolhido ficava a 5min da Universidade. Quando entrei, lembrei do Carandiru. Encontrei pessoas (as crianças) que falavam mais palavrão do que eu. Escutei um que me deixou vermelha, eu não sabia o que era, mas era parente da xoxota.

O professor, adepto da campanha JK (50 anos em 5), era uma alma acabada e desgastada pelo trabalho. No primeiro contato, na sala dos professores, entra uma professora evangélica e louca que desabafa: "Olhe, quando eu vejo esses meninos, eu tenho vontade de apertar assim (faz o gesto) o pescoço deles ateeeeeeé (fica vermelha) estrangular!" (se recompõe). Calma, Luci, calma, isso não quer dizer nada.

- Então, professor, eu gostaria de ficar com o 7º ano...
- Ah, minha filha, você vai ficar com a pior turma da escola, o 7ª B!
- Glump...
- Camila!
- Camila?
- Camila!
- Mas qu...
- CAMILA! Camila é o CÃO! Eu já fui parar no hospital por causa dela! Blá blá blá...

Então ele me dá o nome de pelo menos cinco alunos que me causariam e dor e sofrimento. Eu não os anoto. Quero esquecer. Na saída, uma encantadora criança surdo-muda tenta comunicar-se comigo e com uma amiga minha (que também daria aula lá). Passo duas horas tentando entender o que aquela porra tá dizendo, sem sucesso. Em casa, preparo com carinho as aulas, procuro introduzir piadas espirituosas. O mundo é bonito.

Chega o Dia D. Tentando disfarçar o pânico, procuro permanecer séria quando entro no colégio. Espero o sinal no pátio. As crianças me encaram, não têm medo de mim. O garotinho surdo-mudo se aproxima e diz "boa tarde!"

- Ouxe, menino?! Tu num era mudo?!
- Era!

Filho duma puta! O guri falava mais que Galvão Bueno! Ghrrr! Mas enfim, o sinal logo tocou e eu fui calma e firmemente andando pra sala enquanto 50 crianças tentavam me derrubar. 7ª A: crianças desnutridas com 1,30m de altura. Foi então que eu escutei: "professora!" De primeiro eu não dei importância. Depois entendi, era comigo! Eu era a professora! Que emoção! Eu consigo enganar!

- Professora, posso beber água?
- Não.
- Ir no banheiro?
- Não.
- Mas...
- Não.

Eu estava embriagada pelo poder. (Mas que poder?) Hoje eu percebo que só consegui ministrar aquela primeira aula porque os guris estavam completamente abestalhados pelo fato de haver uma professora nova. Lembro que alguém desabafou: "o professor chama a gente de mizera!" E viva o ensino público!

Depois de 45min, o sinal bate, hora de ir ao famigerado 7º B. Na sala ninguém me ouve, ninguém me olha, ninguém se anima. 35 adolescentes desnutridos com 1,70m de altura. O que não tinha um dente da frente sentou de costas. A de tranças cochichava com a amiga enquanto me olhava e ria. Eu queria sair dali.

- Meu nome é Luciola, eu sou uma estag...
- Professora!
- Sim?
- Posso te chamar de Lu?
- Minha filha, você pode me chamar de qualquer coisa, menos de puta.

(Suspiro profundo).

Naquela hora, enquanto eu tentava acreditar no que eu tinha falado, eu soube que eu só poderia dar aula pra adultos. Adultos com um senso de humor bizarro. "'Menos de puta'?! Caralho, Luciola, tu num tá em casa, puta que pariu, a menina vai ficar chocada..."

A menina cagou de rir, disse algum palavrão e se calou satisfeita. Eu tava no meio de um bando de delinqüente maluco. Eu queria minha mãe. Eu levava tanto tempo pra acalmar os alunos e trazê-los para dentro da sala que a aula não durava 10min. "Normal", dizia o professor.

Volto pro 7º A, terceira e última aula do dia. No pós-intervalo, a sala estava mergulhada no caos. Criança correndo, gritando, pendurada na janela. Me exaltei, ameacei de morte, fiz terrorismo. Nada.

- Professora, coloca os bagunceiros pra fora!
- Se eu fizer isso sai até você, meu filho.

O espertinho se cala. Eu fecho o livro, apago o quadro e abandono a sala. Ao sair da escola eu desabo no choro, repenso nos meus quatro últimos anos e nos 50 anos futuros e choro mais.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 11:29:31 AM

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Terça-feira, Outubro 02, 2007

Aos que aqui chegam esperando meu retorno com paciência, obrigada! Mas esta criatura se encontra mergulhada entre seus trabalhos universitários e... O tempo acabou! Volto no final de outubro! Abraço aos bons!


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 1:49:18 PM

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Quinta-feira, Agosto 09, 2007

Eu sei que andei sumida, mas é que eu passei esses dias ocupada. Ocupada andando de ônibus. Morar no extremo norte da cidade e estudar no sul é privilégio de poucos. Valeu, Jesus!

Outro dia eu tava esperando o ônibus no Terminal de Integração. Ninguém gosta de andar de ônibus, mas basta o bendito entrar pelo Terminal que as pessoas esquecem de onde vieram e pra onde vão. São 70 pessoas e só há 50 assentos. Os cálculos são feitos em silêncio, as pessoas se entreolham. A adrenalina sobe. O clima esquenta...

O único intuito delas é conseguir algum lugar no ônibus e isso se torna uma disputa incrível. Os milagres de Cristo podem ser vistos claramente através das manifestações do povo. Pra pegar o ônibus o cego vê, o aleijado anda e a mulher grávida corre. Leis da Física são quebradas. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar? Não no Terminal de Integração de João Pessoa. Eu já vi duas mulheres entrarem no ônibus e se tornarem três lá dentro.

Eu tou em tom de brincadeira, mas eu confesso que tenho medo às vezes. É incrível a força que uma mulher de 80 anos pode ter quando quer andar sentada no ônibus. Elas arremessam seus filhos coletivo adentro, dão cotoveladas e, em última instância, gritam. Um grito aborígine, sabe... AAHHH LULULU! E somem ônibus adentro.

Eu, branquela amedrontada, criada à base de Leite Ninho, ainda tremo o queixo de medo quando o ônibus se aproxima. Motorista e cobrador têm que andar armados se não quiserem perder o lugar. Enfim, é a visão do inferno que eu dou testemunho diariamente. Mas apesar disso, é legal andar de ônibus.

Ontem mesmo uma menina que tava com o namorado declarou em tom de orgulho: "Não, mas agora eu vou dizer, eu vou dizer... Eu e Wânia, a gente é tão unida, mas tão unida, que quando uma tá doente a outra fica também". Eu nunca contenho o "ai meu deus do céu" com esse tipo de testemunho. Pois é... Quando Wânia teve rubéola, ela também teve. Quando Wânia teve gripe, ela teve também. É realmente uma amizade admirável. Bom, deve ter mais coisas que me fazem gostar de andar de ônibus. Eu só não consigo lembrar de nenhuma agora.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 10:32:12 PM

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Domingo, Julho 22, 2007

[junho - 2007]

Vai ser difícil escrever esse post. Ele fala sobre a demência de um ser humano perturbado. O ser humano, claro, sou eu.

Que eu sou uma pessoa que se impressiona fácil, eu já sabia, e quando o assunto é sobre morte, assalto, estupro etc, o tormento no meu juízo se triplica. Antes de eu contar a história de hoje, vou dar um exemplo de como eu sou cagona.

Uma vez, lá pelos idos de 1999, 2000, eu estava em Praia de Campina - PB, uma praia isolada onde os pais de Monique têm uma casa. Era noite e a praia estava bastante esquisita. Como não tínhamos nada pra fazer e éramos abestalhadas, decidimos passar o tempo contando histórias de terror. (Ui).

Na praia só estávamos Monique, eu e o breu completo. Fomos caminhando em direção ao nada e comentando casos intrigantes sobre assombrações. Eu olhava pra trás o tempo todo, apertava os olhos e procurava me certificar de que estava tudo bem ao redor. Numa dessas olhadas, me deparo com um vulto se aproximando numa grande velocidade em direção a mim. Eu só tive forças pra dizer "ai, meu deus", perdi a cor, fiquei imobilizada e muda.

Monique, num acesso de solidariedade, sai correndo e me deixa. Então o pobre trabalhador em cima de sua bicicleta continua andando e, admirado com as duas lesas assombradas, solta um "oxe" reticente e segue. Sim, era só um morador local.

Entenderam o drama, né. Sigamos...

Ontem de madrugada estávamos eu, Monique, Fábio e Felipe no Bebe Blues quando o garçom anuncia que a cerveja acabou (só em João Pessoa mesmo!) Inconformados, saímos do bar, nos sentamos numa calçada e conversamos sobre qualquer besteira. O guardador de carro, com seu bom coração, disse pra gente tomar cuidado, que ali era um lugar perigoso e contou duas histórias cabulosas de assalto ali que me deixaram muito impressionada.

Decidimos sair de lá e fomos andando pra uma pastelaria. Entramos numa rua esquisita e eu me deparei com um bando de homens rodeando três mulheres. Eles estavam calados e pareciam se preocupar com nossa presença. Foi nesse momento que meu cérebro assustado e quimicamente alterado teve uma brilhante conclusão: isso é um assalto!

Estimulada por uma injeção de adrenalina e demência, eu simplesmente gritei CORRE! CORRE! CORRE! CORRE! CORRE! Soltei Fábio, peguei a mão de Monique e saí correndo. Correndo! Eu me senti Antonio Banderas fugindo em câmera lenta entre tiros. Quando eu olhei pra trás os meninos estavam ora correndo, ora andando, sem entender porra nenhuma. E eu já tinha até ganhado mais um assustado: um amigo nosso que estava numa parada de ônibus veio assombrado saber o que estava acontecendo.

E eu correndo... correndo...

Só parei quando cheguei no bar, e, ainda assim, quando vi que os caras estavam vindo em nossa direção (tão inocentes quanto o ciclista), eu entrei em pânico. Bom, foi ridículo. O detalhe de eu ter soltado a mão de Fábio também foi espetacular, ainda bem que ele aprovou minha opção. Fica aqui registrado o pseudo-assalto mais perigoso da minha vida!

(Agora a pergunta: e quando for de verdade? Hihi).


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 11:20:04 PM

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Sábado, Julho 07, 2007

Post dedicado a Pricah que encontrou Jesus depois de ler meu blog. =*
(Obrigada!)

Cansada da minha aparência de minhoca morta, fui procurar uma academia pra garantir que nada vai sair do lugar durante os próximos anos. Não é que eu seja uma completa sedentária, afinal de contas, eu recorro a "exercícios alternativos" pra me exercitar, mas eu nunca entrei numa academia pra malhar.

Me vesti a caráter, ri de mim na frente do espelho e saí de casa. A professora ficou impressionada quando eu disse que não malhava, pois eu tinha todo um porte.

Eu sei, ela deve dizer isso pra todas.

Começamos pela bicicleta, foi tranqüilo. Depois ela me levou pras máquinas e me mostrou o que eu tinha que fazer. Em uma delas eu deitava, ficava com as pernas pro alto e tinha que empurrar o peso lá. Me preparei e ela disse "empurre". Eu usei toda a força que eu tinha pra empurrar e o negócio não se mexia.

- Vamos, força!
- Ahhhhh!
- Respire, respire...
- Uf uf uf... Ihhhhh!
- Tá quase, vamos lá, força!
- Uuuiiiaaaaahhh!

Quando eu já tava entrando em trabalho de parto, consegui. Coloquei minhas tripas pra dentro de novo e continuei o exercício. Numa segunda máquina, enquanto eu sentia os ligamentos da minha perna se soltarem, me questionei: pra que tudo isso mesmo? Como não obtive resposta divina, segui caminho.

No dia seguinte, ou seja, hoje, era a vez de malhar os braços. Na primeira máquina eu me dei bem. Na segunda foi um pouco mais difícil, mas eu levei adiante. A professora já tinha perguntado duas vezes se eu nunca tinha malhado (hihihi) e, possuída pelo demônio, me levou a uma máquina que fez com que eu pagasse todos os pecados da minha família. Enquanto eu malhava, um filme da minha vida ia se passando pela minha cabeça. Eu queria ter tido um filho, falado pra Letícia não deixar de estudar, dizer a Monique que ela é lesa... E, quando eu já estava caminhando pra luz branca, fiz a última seqüência e parei.

"Lu, pra terminar, faça 10 min na esteira" - Ela recomendou que eu fosse diminuindo gradativamente a velocidade quando chegasse no 9º minuto, "porque geralmente os iniciantes ficam tontos quando saem dela". Eu que sou orgulhosa e tou mais pra inicianta, botei pra foder na esteira, mas comecei a diminuir já no oitavo minuto. Quando saí dela fui cambaleando discretamente pra algum lugar e a professora perguntou se eu tava tonta. Nada, é que eu gosto de andar de lado mesmo.

Fui pra casa de sentindo um herói de guerra e animada! Porque amanhã tem mais!


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 9:41:55 AM

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Sexta-feira, Junho 29, 2007

Essa semana eu passei por algumas experiências inusitadas. Na quarta-feira, 27 de junho, Monique, Fábio e eu decidimos ir ao Centro Histórico, onde um belo forró pé-de-serra (e uma tempestade) nos aguardava. O Gabinete de Fuba, um bar que prometia triângulo, sanfoneiro e zabumba, foi o escolhido.

A chuva começou e colocou pra dentro do bar todos os mendigos e hippies da praça. O cheiro de enxofre dos suvacos que não sabiam o que era água, deixou três mortos e oito feridos. Todas as pessoas do bar, juntas, tinham apenas 17 dentes. Era bonito de se ver. Mas uma criatura em especial me chamou a atenção. O mendigo-rei, ou lascado-mor, como queiram, além de exalar um odor, com eu diria... marcante, era uma figura legal de se observar. Ele tinha apenas um dente solitário. Uma metade dele (do dente) estava podre, a outra metade não existia.

Em determinado momento da noite, notei que o bar era composto, em sua grande maioria, por homens. Mesmo assim o zabumbeiro insistiu que formássemos uma quadrilha (de São João). Fábio foi disputado com grande violência por mim e por Monique, tendo eu vencido por motivos óbvios. Monique ficou com um de oito dentes.

Eu realmente não lembrava de como se dançava quadrilha, e tive grande surpresa quando o filho da puta do zabumbeiro gritou "BALANCÊ!" E lá vai todo mundo trocar de par. Adivinha com quem eu dancei? Claro, com o Mendigo-Rei! Eu tentei pegar na mão dele, mas não consegui. Entre os dedos dele e os meus havia uma crosta, um casca dura de grude que conservava ainda os micróbios do São João de 1982 daquele homem. Eu fiz o que pediram e balancei; sacudi tanto aquele coitado, crente que tava dançando. Quando eu o soltei, ele saiu descontrolado pelo salão e se atracou com outro ser humano. Acho que ele nem sabia o que tava acontecendo.

Depois de dançar com quatro banguelos e cinco bêbados, me agarrei a Fábio e não parei de dançar nem quando ele quis ir ao banheiro. Paguei a conta dançando com ele, saí do bar dançando, entrei no carro dançando e só larguei porque ele teve que descer do carro. Uma pena.

Tive apenas quatro horas de sono antes de acompanhar mi madre ao hospital no qual ela iria passar por uma cirurgia pra tirar as varizes. Demos entrada no hospital e ela seguiu pro seu quarto. A cirurgia demorou 40 min para começar, porque ela estava esperando com a anestesista em uma sala, enquanto o médico e a enfermeira aguardavam em outra. Fiquei bastante aliviada quando vi minha mãe sob responsabilidade de equipe tão competente.

Ela voltou pro quarto toda enfaixada e gemendo de dor. Lembrava uma múmia, a diferença é que a pele da minha mãe é melhor. Ok, existem outras diferenças entre minha mãe e uma múmia. Mas o que importa é que ela, a despeito da equipe fajuta, está bem. Voltou pra casa no dia seguinte, meu irmão foi nos buscar. Minha mãe estava contando pra ele como havia sido a cirurgia. Disse que na cirurgia o médico não tirou a safena dela, apesar disso ser muito comum. Então meu irmão supreso:

"A safena?! Mas é tão importante! Quando se tira, não se faz nada com ela? Simplesmente a joga fora?"

Não, meu filho, o médico leva pra casa e faz uma sopa. Ô, meu deus, é cada uma. Bom, o doutor receitou repouso e disse que ela evitasse andar. O passinho dela tá bem curto, ela anda a 2m por hora, é lindo. Mas agora me dêem licença, eu vou cuidar da moça :)


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 7:47:57 PM

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Terça-feira, Maio 22, 2007

18 de maio de 2007, sexta-feira

Ah, dias caóticos! Sempre que eu ultrapasso os portões da Universidade, eu perco o controle sobre minha vida. São horas de tensão em que fico a esperar pelo próximo biruta que vai fazer alguma coisa na minha vida parecer infame.

Maria não tem mais me perturbado (não, ela não morreu) e é maravilhoso dizer essa frase sem acordar depois. Mas como alegria de estagiário dura pouco...

Hoje de manhã no estágio, depois do fim do meu intervalo de dois segundos e meio para o lanche, eu retorno para meu cativeiro e volto a trabalhar. Noto, através da janela de vidro, na sala ao lado, dois garotos de jornalismo (que insistiam em falar e agir como garotas) conversando com Laura sobre algo que os meus perturbados ouvidos não captaram.

Com o canto do olho noto que, da outra sala, um deles me observa com atenção; viro o rosto impaciente e me deparo com uma criatura pronta para tirar uma foto minha. Meu olhos devem ter saído esbugalhados na foto tamanho o susto que tive, me senti um animalzinho sendo capitado no seu habitat natural. Mas é isso, não tenho domínio nem mesmo sobre a minha própria imagem.

Tive uma súbita vontade de torturar alguém.

Passos vinham em minha direção. As moças, quer dizer, as comadres, quer dizer, os alunos entraram pela sala e se aproximaram de mim. Um com a câmera e o outro com um bloquinho de notas na mão. Este:

- Oi... qual teu nome?
- Luciola.
- Lucioooola de queee?
- Regina.
- Regina tipo R-E-G-I-N-A?
- Não. Regina tipo W-F-X-B-Z-Y.

Fiquei imaginando a professora tentando alfabetizar esse menino, tive pena dela.

- Escrevam CA-SA.
- Gato?
- Casa.
- Gato?
- Casa, caralho.

Mas eu continuei trabalhando, impassível. Tentei parecer o mais ocupada possível e mexer em vários papéis com ar sério e concentrado para que eles tirassem alguma foto decente de alguma pessoa decente. Hihi. Mas aí o rapazote disse "posso te pedir um favor?"

[Minutos de tensão]

- Sim...?
- Tu fica olhando pra esse papel que tá aí do lado pra eu poder tirar uma foto legal?

O papel tava em branco. O máximo que ele ia conseguir era me deixar com cara de autista. Mas eu fiz, né...

Tentei descontrair perguntando "vocês conhecem Kaline? Kaline Maria?" Por que, Luciola? Por que você foi perguntar isso? O menino deu um piti que achei em que ele fosse quebrar a máquina na minha cabeça. "Todo mundo pergunta por essa menina!" Não, ele não tinha raiva de Kaline, ele é apenas uma pessoa alterada. Depois ele se acalmou e disse que conhecia.

Rezei fervorosamente para que eles fossem logo embora e essa foi a única coisa que deu certo no dia. Foram explorar a bibliotecária na sala ao lado e, quando passaram por mim para irem embora, disseram "xau, pessoa". PESSOA! PES-SOA! Meu irmão, eu tive vontade de pegar aquele cara pelo cabelo escovado dele e meter no chão até ele dizer meu nome de trás pra frente e de frente pra trás. Mas eu não fiz isso. Eu disse "xau..."


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Hora: 4:23:51 PM

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Quarta-feira, Maio 16, 2007

Diário de um detento
14 de maio de 2007


Aqui estou, mais um dia. Sob o olhar sanguinário do vigia. Seis da manhã: o despertador sacode meu cérebro. Acordo idiota e um filme de terror sobre o que terei de fazer durante o dia se passa rapidamente pela minha cabeça e a angústia me domina: é segunda-feira.

No ônibus, uma senhora que devia estar bêbada se desequilibra com o freio dele e vem desgovernada em minha direção. Você não sabe como é caminhar com a cabeça na mira de uma HK. A mulher parecia um pirocóptero. Prevendo a tragédia, eu cedo meu lugar a ela: "venha, sente aqui logo antes que a senhora mate alguém". Mas, antes que eu pudesse me levantar, ela senta nos meus pulmões. Ótimo! Metralhadora alemã ou de Israel. Estraçalha ladrão que nem papel.

Depois eu consegui um lugar na janela ao lado de uma outra velhinha que parecia um passarinho. Essa usava boné de palha e tênis. Eu não gosto dessas velhinhas de tênis, elas são tão elétricas e ágeis e saudáveis! Isso é contra as leis da natureza.

Essa, no caso, parecia ter DDA, não sentou a bunda um só momento na cadeira, e, quanto mais o ônibus enchia, mais ela se aproximava de mim. Na muralha, em pé, mais um cidadão José. Servindo o Estado, um PM bom. Olhava ameaçadoramente e chegava mais perto, olhava e chegava mais perto.

O detalhe é que a velha estava pregando de suor (isso explicava o tênis) e teimava em se encostar em mim. Quando vi, eu já tava pendurada pra fora do ônibus e velha se chegando. Sinceramente, eu não sei como agir com esse povo. Como é que um ser de 70 anos e 23kg me pressiona dessa forma! Vários tentaram fugir, eu também quero. Mas de um a cem, a minha chance é zero.

Finalmente cheguei na universidade. Apesar da minha moral em baixa, eu estava cantando e andando alegremente, parecia uma princesa de filme da Disney na floresta. De repente, eu não sei como, onde e nem porquê, eu tropeço violentamente em algo e passo uns 20 min tentando me equilibrar novamente.

Quando fui ver, eu simplesmente tinha tropeçado em um fio que estava pregado à parede! Sim, eu tropecei em algo que estava numa parede. O alcance das minhas pernas é realmente fantástico. O fio machucou meu pé, abriu uma ferida, parecia as chagas de Cristo. Será que Deus ouviu minha oração? Será que o juiz aceitou a apelação? Com essa onda de canonizações que anda rolando pelo Brasil... Me senti iluminada. Ah, caiu uns cupins em mim também, cada vez que eu sacudia o cabelo caia uns cinco no meu colo.

Foi assim, com o pulmão danificado, melada de suor de passarinho, com uma família de cupim no meu cabelo e o pé semi-aberto por causa de um tropeção, que começo minha semana. Mas quem vai acreditar no meu depoimento?

14 de maio de 2007,
Diário de um detento


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Hora: 4:34:37 PM

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Terça-feira, Maio 08, 2007

Sim, sim, pretendo atualizar algum dia.
Mas por enquanto a vida acadêmica me consome.

Um abraço aos esperançosos.


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Hora: 1:26:49 AM

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Quarta-feira, Março 28, 2007

Depois de ser ameaçada de morte três vezes, decidi atualizar o blog. Na verdade eu me assustei com o tamanho da lista das palavras-chave dos sites de busca (leia-se Google) e decidi fazer a parte II do post. Acredito que haverá a III, IV, V... Porque enquanto houver gente procurando por quero fazer agora um site totalmente gratuito sem pagar nada, explicação física abertura feita por projétil fuzil corpo programa ou ainda como colocar crédito no celular claro sem pagar nada, haverá um circo sem futuro registrando tudo isso.

Eu adoro essas frases! Muitas vezes eu acesso a internet só para ver os absurdos do dia. Gosto particularmente das frases punheterísticas. Dá uma pena...

Existem os inexperientes:
como chupar uma buceta, técnicas de punheta qual jeito melhor de bater, forma de simular vagina, pontos como deixá-la louca.

Existem os exigentes:
buceta paraibana - Até parece que uma pernambucana não serviria.
peitos pra fora somente isso - Somente isso, hein! Se tiver um pedacinho de vagina eu não quero nem ver! Ave maria!
quero falar com mulheres bem putas - Só puta não serve?

E o homem culto procurando pornografia?
mulher copulando - Esse daí deve se masturbar com o mindinho levantado.

Mas as procuras não são somente de homens e nem somente eles são inexperientes quando o assunto é relacionamento:

como fazer sagitariano se apaixonar - Abra as pernas (esse conselho se aplica a qualquer signo do zodíaco).
frases para quem está com dor de cotovelo - Se fudeu!
frases depois que termina o namoro - Bom, eu não sei dessa, mas uma boa frase pra voltar é: "tou grávida". É tiro e queda, você pode usá-la até quando estiver menstruada.

Também adoro quando o pessoal leva um papo com o Google:

falam que o tubarão não pega câncer - é, falam...
estou com o celular da vivo e quero sair do pós-pago - "O que será que eu faço, Google?"
depois de muito tempo sem fumar deu vontade de novo - "Puxa vida, cara, que barra, hein!", "Pois é, Google, eu não sei mais o que fazer da vida".

(Suspiro profundo)

Ah, e vocês lembram da menina que queria engrossar as pernas? Pois bem! achei como engrossar pernas. Eu fiquei muito feliz por ela.

E outras dezenas de bobagens aleatórias:

oportunidade de emprego porta giratória - Você sabe quando a situação tá difícil quando até as portas giratórias vão atrás de emprego.
funcionária fofoqueira como agir - Manda matar! (Que Maria não me leia).
mensagem para uma futura mamãe de gêmeos - vide comentário sobre frases para quem está com dor cotovelo.
foto de criança morrendo mamute esperando para comê-la - Bom, eu acho... é um palpite, certo? Que os mamutes foram extintos. E na época que eles existiam, nem a câmera obscura havia sido criada, então, boa sorte na sua procura!
revolta da múmia - Era uma múmia adolescente.
porque você tiraria programa domingo faustão - "Um dos maiores cantores do Brasil! Maaaais de 10 milhões de discos vendidos! 20 anos de carreira! Leandro, aqui no Domingão!" Por isso.
diminutivo sem usar ninho - Eu tenho certeza de que esse foi o cara que perguntou sobre diminutivo de palhaço no post anterior. O cara realmente tem problema com diminutivos.
miss feiura - Ó, Monique, é contigo.
o que aconteceu com suzana vieria - Ela anda fazendo um tratamento com formol.
sou uma fracassada - Google na versão analista!
perguntar para ver o que vou ser no futuro - Google na versão adivinho!
frases magníficas para msn muitas - Ele tinha colocado só "frases magníficas para msn", daí brilhantemente pensou "e se o Google achar poucas frases magníficas? É melhor eu garantir, vou botar 'muitas' no fim". E fez-se Luz.
aonde encontramos o esfíncter - O esfíncter é uma região do rosto mais conhecida como "maçã do rosto". Então diga a sua mãe que o esfíncter dela é macio e sedoso. Ela vai adorar.
que jornal que nada a apresentadora quer mesmo levar rola no cuzinho - Deixa William Bonner saber disso...
gaúcho comprando lubrificante farmácia - Depois perguntam porque gaúcho tem a fama...
o.b. tira a virgindade - Tira, e você ainda vai pro inferno!
super homens gays - "Para o meio e avante!"
papéis parede alienígenas - Um ET decorador.

Enfim enfim enfim! Esse povo cansa minha criatividade, hora de parar. Mas não antes de deixar algumas outras incríveis palavras-chave pra vocês:

contrário de surrar
macaco que paga mico
macaco bunda vermelha
reproduzir barulho peido
frases que diz fiz minha parte
criança morreu vontade médico lombriga
perna pau onde comprar relacionado circo
crianças que perdem controle no esfíncter
vocalista fala mansa com tumor maligno cérebro
você nunca gostou de gorda mas casou com uma fofinha
história das fotos amaldiçoadas das crianças que choram
se você ficar triste eu compro um nariz de palhaço
jogos de bebezinho de verdade que chora que ri e que fala

É, dói.


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Hora: 2:00:22 PM

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Quarta-feira, Março 14, 2007


[11/03/2007 - domingo]

Por algum motivo desconhecido, acordei às 7h da manhã deste domingo e fui estudar no computador (veja quantos absurdos numa mesma frase), pesquisar sobre o tema da minha monografia, que ainda se encontra na fase zigótica. O tema é sobre uma revolução popular que se deu na Paraíba no século XIX, então, para me introduzir ao assunto, fui pesquisar sobre a História da Paraíba e acabei encontrando um site relacionado.

Como eu estava achando o texto (muito) mal escrito, fui ao final da página procurar pela toupeira que havia a escrito. O culpado: *Leonardo Lima, psicopata e aluno metido que acaba de tornar meu domingo mais agradável.

Acessei a página pessoal deste cidadão e lá encontrei assuntos relacionados à sua vida pessoal e acadêmica. Vi as fotos dele (menino criado pela avó materna) e li sua magnífica apresentação com curiosidade mórbida até ver isso:

Clicando em Meu Amor, você terá a oportunidade de conhecer a minha maior fonte de motivação nesta vida; minha princesa, meu anjinho, a mulher que me faz querer ser uma pessoa melhor. Lá também há fotos dela e algumas das poesias que lhe escrevi.

Meu coração bateu forte: poesias! Calmamente, tentando saborear o desastre que eu estava prevendo nesse link, cliquei em "meu amor" e pude ler sobre uma belíssima história de amor, daquelas que faria Shakespeare se envergonhar de Romeu e Julieta. Era o romance entre Leonardo e... e... Katyúcia.

Em Agosto de 1997 conheci, num curso de inglês, uma bela, atenciosa e meiga jovem chamada *Katyúcia Arantes. (...) Após muitas declarações de amor, consegui conquistar o coração desta jovem que considero a mulher da minha vida. Estava iniciado o nosso namoro, dando nascimento a um relacionamento que, tenho certeza, será perpétuo. (Mas ela não sabe disso ainda).

Mas vamos ver as poesias; o cara faz Direito, Ciências da Computação e desenvolveu um trabalho na área de História, alguma coisa boa deve ter. E tinha!


Versos Iniciais

Nunca tente esconder sua emoção
Não entendo por que dizer não
A algo que nos preenche o coração
Negar a nossa essência é lutar em vão

Foi diante deste pensamento
Que decidi estes versos escrever
Não mais queria perder um só momento
Para abrir todo o meu ser



Diante dessa confissão de menino travesso e fenfível, duvidei das intenções do menino Leandro com a jovem e meiga Katyúcia.


Conversando com Deus

(...)

Pois o sorriso é a manifestação dos lábios
Quando aos olhos é mostrado
O que o coração tem procurado
Por anos vários



Esse fenômeno da literatura certamente não sabe o que é "métrica", mas relevemos, ele está apaixonado e a paixão deixa as pessoas assim, imbe... imprudentes. E poderosas, claro, o cara conversa com Deus!


Uma noite no Rosário

Pouco antes do início da celebração
Pus a mão no peito, devido a forte emoção
Pela porta enveredavam Luiz e Lúcia
Trazendo consigo sua filhinha de pelúcia


(Está explícito aqui que Leandro queria ver a pelúcia de seu Luiz)

(...)

Enquanto o sermão do padre era exposto
Vi Katyúcia fazendo do paterno ombro um encosto
Olhando para seu pai me pus a imaginar
O prazer que sentiria estando no seu lugar


Na verdade ele errou aqui, ele queria dizer:

Olhando para seu pai me pus a imaginar
O prazer que sentiria estando no seu colo



Mas longe de mim estar insinuando alguma coisa. A sensibilidade e meiguice de Leonardo manifesta-se de maneira belíssima na última poesia.


Versos Finais

Um coração que estava adormecido
Pensando não existir motivo para se abrir
Até que um olhar o deixou envolvido
E algo mais o fez sentir


(Ok, ele sentiu o algo mais...)

Por fim, um sorriso o despertou
De sua natureza não pôde se esquivar
Nos horizontes do sentimento ele se lançou
Sem temer quem lhe pudesse censurar


(Sem temer a censura, contra tudo e todos, ele se entrega à sua... er, natureza)

E não o chamem de fingidor
Isto é questionar o seu amor
Algo que por longo tempo ele guardou
E que só agora se revelou


(Preciso dizer mais alguma coisa?)


É nessas horas que dou graças aos deuses por Fábio não me colocar apelidos "carinhosos". E não ter sido criado pela avó.

*Eu temo ser processada


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Hora: 11:31:03 AM

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Sexta-feira, Março 09, 2007

No post do dia 08 de fevereiro/2007 eu disse que havia perdido a bolsa e deixaria de trabalhar com Maria. Eu ia deixar de trabalhar, claro, Maria não trabalha. Mas houve uma seleção para recrutamento de novos bolsistas e, adivinhem só, eu passei! E trabalharei com Maria até dezembro. Não é legal? É, eu sei que não.

Na verdade, eu não iria continuar no estágio, mas Carla mexeu os pauzinhos dela tão rapidamente quanto troca os olhos e conseguiu me recolocar nele. Pro meu infortúnio. Descobri que não gosto de lá. Descobri também que, depois de seis meses trabalhando lá, Laura ainda não sabe meu nome.

- Ô, Rafaela! Quer dizer... Miquelina! Meu Deus, como é mesmo...
- Err... Luciola?
- Ah, sim! Olha, Luciola, blá blá blá...

Agora eu pergunto: LUCIOLA é algum nome complicado? Ela me chamou de Miquelina! Pelo amor de deus! Eu nunca conheci alguma Miquelina, isso nem é nome de gente!

Mas enfim... Nesse dia Maria entrou na "minha" sala e me deu os parabéns pela bolsa, e, como eu estava animada, até conversei com ela. Ela perguntou se eu já havia feito a carteira de estudante, eu disse que não. Aí ela:

- Mas pra quê tu vai fazer, menina? Num vão fazer esses cartões nos ônibus (bilhetagem eletrônica)? Tu num vai precisar mais de carteira!
- Não, Maria, mas ainda é útil pro cinema.
- Cinema? Menina! Eu nem gosto de cinema, ninguém mais vai no cinema, não.
- Ah, não?
- Nada! Depois que inventaram o DVD ninguém mais vai no cinema.

Ok. Eu acho que Maria entrou em coma na fase do VHS. E no dia em que o cinema desaparecer, eu mudo meu nome pra Miquelina (e facilito a vida de Laura). Ah, e alguém aqui ficou surpreso quando ela disse que não ia ao cinema? Ela adora (me) surpreender!

Teve um dia em que eu vi Maria passar por mim com uma vassoura na mão. Como eu vi apenas de relance, não acreditei. Foi como ter visto um mamute rosa andando de triciclo na minha frente. Ignorei o delírio, baixei a cabeça e continuei o trabalho. Então Maria entrou pela porta com a vassoura. Silêncio. Foram momentos de tensão. Meu deus, o que ela vai fazer isso? Será que ela sabe pra que serve? Ela pode se machucar. Foi aí que algo extraordinário aconteceu: Maria pegou a vassoura e, com os pêlos pra baixo (os pêlos da vassoura), segurando-a pelo cabo, varreu um metro de chão. A ação só durou dois segundos e meio, mas foi o suficiente para que meus olhos marejassem de emoção e fé na humanidade: Maria conhecia uma vassoura, sabia manejá-la e conhecia sua serventia (a serventia da vassoura).

Cheguei em casa eufórica e contei o que houve a minha mãe. "Minha filha, acho que você trabalhou demais, descanse um pouco". Bom, eu sei o que eu vi. Mas tenho certeza de que aquilo foi apenas um espasmo que ela teve com a vassoura na mão, porque Maria não sabe qual é a função dela. Um dia eu perguntei:

- Maria, como foi que tu entrasse aqui? Foi através de concurso?
- Nada, menina! Eu devo esse emprego a minha mãe! No governo de Fulano de Tal tinha um negócio que o filho ficava com o cargo do pai ou da mãe quando ele deixasse a função. Aí minha mãe morreu e eu fiquei no cargo.

Eu busquei no meu útero forças pra não MORRER de rir ali, na frente dela. "Devo esse emprego a minha mãe. Se ela não tivesse morrido eu não estaria aqui. Obrigada, mãe, por morrer". Minha nossa. E o absurdo continua...

- Mas aí veio Collor e acabou com isso! O cara é um safado mesmo! Agora a pessoa não pode mais pegar o emprego do pai.

É, Maria, acho que foi a Revolução Industrial que acabou com isso, mas tudo bem. Esse Collor não tem um pingo de bom senso mesmo!

Mas agora vou parar por aqui, porque sinto que, até dezembro, eu vou ter muito o que desabafar com vocês. (Suspiro cansado).


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Hora: 11:04:52 AM

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Quinta-feira, Março 01, 2007

Ontem tive pesadelos durante toda a noite. Senti um mal estar ao acordar e algo me dizia para não sair da cama. Algo de terrível estava prestes a acontecer, eu sentia. Saio de casa pra tentar pegar o ônibus na parada da pracinha (a mesma praça em que fui abordada pela fofoqueira terrorista). Agora eu sei, tenho certeza: aquela praça é amaldiçoada.

Chego na pracinha, olho em volta e procuro ficar o mais distante possível da única pessoa que estava por perto (um senhor). Mas do nada surge uma mulher que deve ter brotado de alguma fenda do inferno e me dá um singelo e assustador "bom dia". Eu fiquei tão assustada com aquela aparição que, ao invés de responder o bom dia, eu pedi obrigada. Sim, eu fiz isso. Não, eu não sei conviver socialmente. Olhe, na minha opinião os homens só deviam ter andado unidos pra caçar mamutes, depois que os mamutes morreram, pronto, eu não vi mais sentido nessa coisa de andar junto.

Mas, continuando...

"Bom dia, querida..." E ela mal esperou eu dar bom dia de volta, aliás, obrigada, e já foi me mostrando uma revistinha de ordem cristã que tinha algumas questões na capa do tipo "Você acha que Deus se importa com o mundo?", "Será Deus se importa com o mundo?" ou ainda "Você acha que o mundo se importa com a opinião de Deus?" Ela chegou do meu lado, começou a folhear essa revista, apontar e fazer essas perguntas com uma calma tão espetacular e numa voz tão doce, tão doce!, que eu tive que me esforçar pra não sucumbir numa paixão. Ela era alta, loira, olhos azuis, sorriso Colgate e com certeza estava em algum curso pra se tornar anjo.

Eu respirei fundo até as paredes dos meus pulmões encostarem uma na outra e escutei o que ela tinha pra falar. Começou a dizer naquela vozinha de quem estava drogada que o mundo tinha muita guerra. Ela mostrou a foto de uma guerra. Que o mundo tinha muita fome. Ela mostrou a foto de uma criança com fome. Que o mundo tinha muita poluição. Ela mostr... zzZZzz... Certo, e a senhora que eu faça o quê, pelo amor de deus? "Você acha que Deus se importa com isso?" Olha, minha filha, só perguntando.

Mas é sério, eu realmente não sabia o que responder! Ela era de Deus, se eu dissesse que Deus não se importava ela ia ficar com raiva de mim, se eu dissesse que Ele se importava, não ia fazer sentido depois das figuras! Então eu, com bastante sapiência e algumas noções de teatro, botei a mão no queixo, fiz cara de pensativa e olhei pro infinito. Continuei naquela posição mesmo depois que ela recomeçou a falar. Daí eu entrei em transe e só voltei quando ela disse "você vai nesse ônibus?" Eu nem sabia qual ônibus era, mas disse que ia e saí correndo. No desespero quase que eu subo num caminhão de lixo, tudo pra sair de perto dela.

Até agora eu não sei o que ela queria me apresentar. Ela falou tão mal do mundo que eu achei realmente que ela quisesse me colocar contra Deus, o Criador. Mas eu não tenho nada contra ele. Só contra os filhos. E as praças dos filhos.


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Hora: 7:30:08 PM

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Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Há seis meses eu instalei no meu querido blog um rastreador e contador de visitas mais detalhista. Desde então, eu sei quem entrou aqui, como o fez, quando e o porquê. O troço é tão completo que até a resolução da tela do curioso é mostrada aqui. Pois é, agora tenho mais poderes que Jesus Cristo.

A forma mais comum de se chegar até aqui é através de certas palavras-chave no Google. E essas palavras-chave, como vocês podem imaginar, são quase sempre relacionadas a putaria. Como eu postei há alguns meses o tal do Horóscopo das Putas com todas aquelas palavras muito, muito feias, a coisa foi potencializada.

Já procuraram Priscila Fantin sem calcinha, Elba Ramalho sem calcinha e, pasmem, Suzana Vieira sem calcinha. O cara que achou as fotos de Suzana Vieira deve estar em estado de choque até agora. Outro fato interessante de ser observado é a fantasia dessas criaturas de uma mão só. Tem o tipo violento: fiomes cavalos estupradores. Ele só não achou esse filme porque escreveu "filme" errado. Ou porque ninguém teve a brilhante idéia de fazer um filme sobre cavalos que cavalgam por aí de pau duro com a intenção de estuprar. Tem o tipo exagerado: enrabar ônibus. Esse daí se garante, viu. Que mulher que nada, eu quero logo um 2300! E quanto às particularidades físicas? Grisalhos sem roupas. Cruz credo! Já basta Suzana Vieira. E putinha mirim? Lamentável.

E por falar em mirim, a fantasia que eu mais gostei foi monique gosta levar cuzinho marido dela está preso. E aí, Monique? É verdade? Cara, eu sempre desconfiei pelo andar solto dela.

Ainda tem aquelas criaturas que, definitivamente, não sabem usar um site de busca:

mulheres putas com hotmail disponivel para conversar. O que eles esperam encontrar? Sério. "Oi, tudo bom? Eu sou uma mulher puta com hotmail disponível para conversar"?

como ser uma puta esposa. Alguém cansado do papai-mamãe anual.

o que fazer antes de dar cuzinho. Vou dizer, minha filha: reze! Isso, entregue na mão de Deus. E boa sorte!

cuidados comer uma puta. Talvez a resposta seja "camisinha".

como mulheres enganam querendo passar por virgem. HAHAHAHA Sem comentários.


Mas, saindo da zona punheterística e indo pra zona dos somente sem noção, temos ainda algumas pérolas magníficas:

como deixar ser indecisa. "Não, não, melhor botar 'como não ser indecisa'. Ou será que eu boto 'quero não ser indecisa'?" Aposto que ela tá tentando a melhor frase até hoje.

Por falar em até hoje... piadas que fazem a gente rir sem parar. Eu tive notícia que esse cara tá na fila do transplante de pulmões depois de ter achado as piadas.

como curar lombrigas. Faça o seguinte, leve a lombriga até o posto de saúde mais próximo da sua casa. Não medique a sua lombriga antes de falar com um profissional.

diminutivo de palhaço. Conheci professores de Português que tiraram a vida por causa de casos como esse.

daniel saulo pousando. A menos que Daniel Saulo seja um avião, ela achou essa foto.

comprar calcinha suja. Eu não sabia se botava essa na parte dos punheteiros ou não. Porque ou isso foi uma senhora que queria adiantar o trabalho e comprar logo uma calcinha suja, ou foi um pobre coitado que nunca sentiu o bom cheiro do prado silvestre.

qual ônibus que passa na praia do futuro. Obviamente esta criança não sabe o que significa palavra-chave. Praticamente bateu um papo com o Google.

vou evoluir. Isso foi um pokemon.

fiquei sem televisão que sorte. Obrigada por compartilhar isso conosco.

mandar mensagens para meus amigos para que lembrem dia meu aniversário Ou, "lembrar de lembrar os meus amigos de lembrarem de mim".


Ainda tem uma porrada de outras frases, mas eu não tive criatividade para comentá-las:

sagitariano rico
bonecas quase humanas
como começar na vaquejada
futuro novo mulher bionica
circo legal circo sem animal
frases para bom final semana
loja sombrinha para dancar frevo
figurino das dancarinas faustao 2005
quero escutar musicas reggae sem pagar nada
quero engrossar minhas pernas casa mesmo como faco



Pronto, essas foram apenas algumas que consegui nesses seis meses. Vou colocar eventualmente mais frases no decorrer do blog pra vocês.

Ah, e uma notícia ruim. Quem viu os peitos de Maria (eu), viu, quem não viu, não vê mais. Ontem Carla disse que minha bolsa não ia ser renovada, então eu acho que vou sair do estágio. Será que ela leu meu blog? Mesmo assim, acho que ela não ia se importar em me ver chamá-la de vesga ou boneca inflável. Acho que ela gosta de mim.

Então, dedico esse post a Maria, a heroína de tantos posts deste blog. Sentiremos saudade! E eu sentirei saudade do meu dinheiro!


Mais do mesmo em: http://seinaomaga.blogspot.com


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 4:42:26 PM

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Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

Depois de dois meses de férias, eis que minha vida acadêmica retorna nesta semana. Junto com ela, minha vida de escrava no estágio. Eu até que tava com saudade dele, sabiam? Entrei lá, coloquei a bata, a máscara e o jugo e fui trabalhar. Meu local de trabalho é um lugar sombrio, com muitas salas e poucos funcionários. Maria diz que ele precisa de uma reforminha porque "com esse piso velho eu num tenho nem vontade de vir trabalhar". Ela diz que não se sente estimulada, sabe. Agora tá explicado porque funcionários públicos de instituições antigas não trabalham: o problema é o piso. E não é o salarial.

Eu vou confessar que estava com saudade de Maria. Mas só até ela entrar pela porta de vidro do prédio e eu lembrar do que ela me faz passar. Por exemplo. Na última semana antes das férias, Maria entrou na sala que eu estava e disse que o sutiã dela a estava machucando e queria que eu desse conta do problema. Mas ela disse isso tão alto que acho que o reitor, lá do outro lado da universidade imaginou que fosse com ele o pedido de ajuda. Já fiquei vermelha daí, porque o secretário do estágio estava no recinto ao lado.

Como eu não estava conseguindo ajudá-la, a doida resolveu o caso de maneira bastante sutil: baixou a blusa, tirou o sutiã e ficou com os peitos de fora. Quase que eu caio pra trás de susto. O detalhe é que os peitos de Maria devem pesar 70kg cada, e, quando ela tirou o sutiã, veio aquela avalanche de peito na minha direção. Eu corri o máximo que pude e me joguei debaixo da mesa procurando abrigo. Na verdade, quando eu vi aquilo eu fiquei feito uma barata tonta dentro da sala sem saber o que fazer. Não sabia se jogava uma toalha, se fechava a porta, se gritava, se saia correndo. Aí eu fui fechar a porta. Só que a porta é de vidro. Iêi. E Maria lá, naquela calma, como se estivesse no banheiro da própria casa.

Vamos ao nosso velho esqueminha no paint:



O secretário está em vermelho no computador, eu, perdendo a cor em cinza, e as duas bolas pretas representam os mamilos de Maria.

Nam, saí do estágio nesse dia em estado de choque. E, desde então, rezo todo santo dia agradecendo a Deus, Nosso Senhor, pelo incômodo de Maria ter sido no sutiã, não na calcinha.


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Hora: 8:48:03 PM

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Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Há vários tipos de fofoqueiras, cada uma com uma especialidade diferente: destruir matrimônios, promover discórdias, passar tempo, ou, na melhor das hipóteses, manter os cidadãos informados. Mas há ainda um outro tipo de fofoqueira: a fofoqueira terrorista, aquela especializada em tirar o sono das mocinhas de bem - como eu - com assuntos violentos do cotidiano.

Eu já odeio travar qualquer tipo de conversa com seres humanos que eu não conheço, e, quando o assunto é violência, estupro, assalto, eu odeio mais ainda. (Sim, no meu coração sempre há espaço pra mais ódio). Aí chegam as desocupadas especializadas em terror. Desconfio que essas mulheres bem informadas ou trabalham pro FBI ou mantêm debaixo da cama uma escuta da polícia. "Menina, você ficou sabendo do estupro que teve ontem aqui?" A mulher estuprada mal teve tempo de se lavar e a fofoqueira já está por aí espalhando local e hora do abate. Às vezes elas são tão rápidas que fofocam em tempo real. "Olha aquela menina sendo estuprada". No futuro elas preverão crimes! Tipo Minority Report. "Menina, você ficou sabendo da mulher que vai ser estuprada aqui?"

Certo, mas deixemos de gaiatice. O que acontece é que estou cansada de tanta gente me parar nas paradas de ônibus para falar das mulheres que foram estupradas, dos motoqueiros que estão assaltando pessoas e etc. Gente, se você não tem nada de bom pra falar, experimente uma coisa: o silêncio.

Ontem mesmo eu estava na parada de uma praça e uma mulher - que pela feiúra devia ser parente de algum gremlin - me perguntou que horas eram. Quando ela apareceu e eu vi a cara dela, achei que ela estava só querendo me desmotivar a viver. Mas não. Com minha inteligência apurada, pude perceber que a pergunta sobre as horas era apenas uma desculpa para que ela se aproximasse e fizesse o que mais sabe: terrorismo. E já ia começar com o "você sabia que..." quando eu disse "olhe, se a senhora vier falar de violência, EU MATO A SENHORA!" Tá bom, eu não disse isso, eu fiquei escutando qual a merda da vez.

Ela disse que um cara, "um marginal, sabe", perguntou a ela se o ônibus já tinha passado e ficou rondando ela, mas ela despistou o cara (com uma de suas técnicas de 007). Sério, eu fiquei imaginando essa mulher despistando um ladrão. Ou ela andou feito uma aranha entre os arbustos da praça até a casa dela, ou soltou uma bomba de fumaça que ficava presa ao seu cinto espacial e saiu correndo, num sei. Só sei que ela despistou o ladrão. Pronto. Acabou. A história era essa. Um cara perguntou as horas, ela respondeu, se desembestou correndo, sei lá, e pronto. Eu fiquei olhando pra cara dela esperando a continuação. Silêncio. Quase que eu digo "que merda de história, hein!" A mulher não sabe nem assustar uma pessoa, nam. Apesar da cara, claro. É, mas eu não disse nada, a única coisa que fiz durante o processo foi respirar. E aconselho: crianças, quando não tiverem nada a dizer, fiquem caladas. Por falar nisso...


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Hora: 6:31:15 PM

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Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

Acabei de acordar da minha primeira ressaca de 2007. Se Monique estivesse aqui eu certamente tiraria aquelas piadas que ela odeia. "Desde 2006 que eu não durmo", "desde o ano passado que eu não cago", e assim vai... Mas, como ela não está aqui, eu deixo registrado em meu blog essas piadas merdas pra que ela leia sempre que tiver vontade! E, como desde o ano passado eu não escrevo (consegui de novo), aqui temos o primeiro post de 2007.

Como é de praxe, todo ano eu perco a maldita contagem regressiva para a virada. Eu já fiz promessa, eu já pedi a Deus para que me permitisse acompanhar a merda da virada, mas eu não sei o que acontece, eu sempre perco.

- 48, 47, 46, 45...
- Ah, dá tempo...
- 21, 20, 19...
- Tá chegando 2007, vamu lá!
- 7, 6, 5, 4...
- Opa, onde tá a contagem?
- Feliz ano novo! Êeeeê!
- ¬¬

Depois da primeira frustração do ano, fui com Fábio, Kaline e Hindemburgo para um barzinho na praia de Tambaú, bem longe dos selvagens que acompanhariam o show de Zeca Baleiro. A cerveja na bexiga se fez incômoda e eu decidi procurar o banheiro. Pobre menina!

O banheiro tinha merda em todo canto menos, claro, no sanitário. Para eu chegar até ele, o sanitário, eu tive que empregar minhas habilidades de navegação pois tinha uma poça de água (eu quero acreditar que era água, me deixem) enorme no meio do banheiro. Resolvi me pendurar no lustre feito um pirata e atravessar aquilo. Consegui. A água batia no joelho, tinha uns jacarés lá, mas nada que eu não pudesse dar conta, mas ao ver a quantidade de cocôs no chão, eu fraquejei.

Tinha cocô fora do sanitário, no chão, (eu não olhei pro teto), tinha uma calcinha rosa, molhada e suja dentro do lixeiro (ô calcinha bem paga!) e água por toda parte. Não é possível que uma só criatura tenha feito um estrago daqueles! Acho que algum grupo de mulheres empenhadas em cagar os bares da orla havia passado por ali entoando algum tipo de grito de guerra cagal. Mas porquê elas fizeram isso eu não sei. E também não sei como alguém consegue fazer cocô na parte externa do sanitário. É uma criatura a ser estudada. Mas, em nome da ciência, eu procurarei reproduzir este experimento e relatarei aqui quais foram os resultados obtidos durante este perigoso ensaio que envolve química, física e biologia, e, dependendo do alcance do projétil, astronomia.

Kaline, coitadinha, tava de calça, e, toda vez que entrava no banheiro, saia com uma nova colônia de bactérias nas barras da calça. Sofrimento gratuito, poderíamos ter um pênis. Ou pessoas mais civilizadas, o que for mais fácil. Mas desconfio que vou mesmo é apelar pra seleção natural.

Hum...

Feliz 2007 aos de bons hábitos higiênicos!


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 2:54:10 PM

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Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

Ontem eu fiz uma coisa que não fazia desde 1997 (mentes imundas trabalhando a mil): eu corri atrás de um ônibus. Até agora eu estou me perguntando como diabos foi que fiz aquilo de novo, porque a última vez, meus caros... Ah, a última vez!

Eu era uma pobre garota (pobre) de 13 anos e estava voltando do colégio. Já anoitecia e eu ansiava pelo meu lar. Andava com uma amiga em direção a parada de ônibus quando o avistei ao longe. Corri feito uma cabritinha serelepe no prado, mas qual foi minha surpresa ao ver que o ônibus não esperou por mim! Depois dessa decepção eu me entreguei ao álcool e à prostituição.

Mas ontem eu estava confiante que iria conseguir. Mentira, eu estava atrasada. Saí de casa e meu ouvido biônico - ouvido de pobre que já identifica o barulho do motor de um ônibus - percebeu que um estava a caminho. E aliás, vocês sabiam que eu sei a diferença entre um caminhão de lixo, um caminhão "normal" e um ônibus só de ouvir o motor? Reeeé! O nome disso é ouvido absoluto, aprendam.

Eu saí de casa e já andei rapidinho para a parada. Foi quando eu vi o ônibus. Um conflito interno me bateu às 7h da manhã e pensei: a humilhação de perder um ônibus ou o escalpe que Carla me fará caso eu chegue atrasada? Foi quando decidi correr.

(Tema da Maratona de São Silvestre ao fundo).

Eu segurei a bolsa e a saia e comecei a correr. Dessa vez eu parecia uma gazela destrambelhada na relva. As pessoas que passavam pararam para ver se eu iria conseguir. Mas eu fui mais rápida que o vento! E em 0,3s eu já estava dentro do ônibus, ofegante feito... feito uma pessoa que correu muito pra pegar o ônibus!

Eu me senti uma heroína. Eu devia aquilo à Luci de 1997. Depois senti que o cobrador queria comentar algo, e ele, com voz garbosa disse "tá disposta, hein!" e deu uma risadinha cheia de intenção. Eu já tenho sorte com cobrador tarado.

Desfecho: Carla acabou não indo nesse dia, mas Maria me fez companhia a manhã inteira... manhã inteira... manhã inteira... manhã inteira... [eco infinito].


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 10:52:45 PM

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Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Não estava com a menor vontade de postar, mas esse post vem recheado de desabafos. Eu quer... Ave Maria, credo! "Recheado" pareceu chamada do Domingão do Faustão! "O programa de hoje vem recheado de atrações: Leornado, Ivete Sangalo, Suzana Vieira" e etc. Voltando...

Eu queria que um raio tivesse aberto minha cabeça antes do meu infeliz comentário sobre Maria em um post passado. A salvação do mundo eu-sou-melhor-que-você-e-vou-pisar-na-sua-cabeça é Maria. Eu disse isso? EU DISSE ISSO? Gente, Maria é um dos seres humanos mais absurdos que já vi na vida. Ela tá me deixando louca.

Tudo começou numa bela manhã quando cheguei ao trabalho e nenhuma das minhas chefas estava presente. Achei que fosse trabalhar no meu cantinho, em paz. De repente a porta da minha sala se abre e aquela criatura de sobrancelhas finas e perfume doce entra por ela, liga o rádio, coloca um forró do Calcinha Preta, Rasgada, Suja, tanto faz, canta e ainda acha que está me fazendo um favor! "A gente pode fazer o que quiser já que só tem a gente aqui". E eu ajustando minhas sobrancelhas para o nível "exterminar funcionários públicos".

Nessa manhã, Maria abriu minhas mãos e colocou entre elas quatro canetas e apertou bem, mãos e canetas, de uma maneira bastante enfática. Parecia mais que havia me colocado em mãos a coisa mais preciosa do mundo. E tanto cuidado tem uma explicação: as canetas eram do estágio e ela queria que eu as levasse para casa. Claro que não levei, mas também não as devolvi para não ofendê-la, porque sei que foi na melhor das intenções e só estou tocando nesse assunto porque hoje ela me deu mais algumas. Se alguém me pegar, certamente vai achar que estou contrabandeando.

Apesar de tudo (eu nem contei 1/100 das coisas) eu gosto de "estudá-la". Maria é um ser interessante com perguntas intrigantes. Como ela não tem PORRA NENHUMA pra fazer, ela fica me observando, olha pra debaixo da mesa pra ver como estou vestida e calçada, essas coisas, e de repente pergunta, "tu usa maiô ou biquini?", eu respondo. Ela fica pensativa e completa: "tu usa fio-dental?" Bom, questões como essas são tão importantes para o rumo da humanidade que vou me furtar de respondê-las aqui.

E quando ela descobriu que durmo na casa de Fábio fim de semana? "Qué dizê que tu sôi mulhé de Fábio?" Com certa satisfação, respondi que sim, mas não pude ignorar a ignorância de uma mulher que acha que se se pertence a outro pela cessão de um, perdoem a expressão chula, cabaço.

Nessa mesma semana, Maria, displicentemente, pôs as mãos dentro do nariz e de lá puxou com força uma massa consistente, resultado de um dia de intensa poluição. Depois ela repousou a tal massa debaixo da minha mesa. Assisti àquela cena em câmera lenta e com uma admiração incrível pela simplicidade com a qual ela lidou com o fato. Simples! Dedo no nariz - meleca - mesa.

Maria nunca acerta meu nome. Ela leva 20min pra começar uma conversa comigo porque meu nome exótico não facilita o processo. "Fabrícia, tu vai... ow! Fabíola, tu... Ow! Quer dizer, Sebastiana! Ow!" Marcelina, Jandira, Lucrécia... "Luciola, Maria, Luciola!" E por aí vai...

(Tinha tanta coisa pra falar, mas meu péssimo humor não colabora).

Voltaremos em breve com As aventuras de Maria pelo Juízo de Fabíola.


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Hora: 9:43:37 PM

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Domingo, Outubro 01, 2006

Vamos ver se eu consigo fazer um post sério uma vez na vida. Não porque hoje seja dia de eleição e esse assunto mereça seriedade. Não. Pelo contrário, vou falar de palhaços hoje. Hoje eu vi dois palhaços na minha ZONA eleitoral. Uma senhora de 50 e muitos anos com uma peruca histérica rosa, o nariz pintado de vermelho e uma blusa que dizia EU NÃO RECEBI MENSALÃO. E uma segunda mulher, que era a cara da Catherine O'Hara, que tava de nariz de palhaço também. Deu pena.

Eleição é um ritual engraçado. De dois em dois anos a gente tira um dia para eleger determinadas pessoas que, teoricamente, compartilham dos nossos interesses e nos representam em maior ou menor grau dentro do cenário político-administrativo do nosso país. É aí que a gente vê na TV o candidato a presidente rodeado de arquitetos supervisionando uma grande obra pública com aquela cara de visionário imponente sob a luz do sol. Bravo! Viva! Meu voto é seu! Quando na verdade o que eu consigo enxergar são políticos que hoje, logo mais à noite, estarão reunidos e brindarão à vitória. E rirão. Rirão de mim, meu caro, leitor, de mim.

Hoje eu não votei nulo. Não não. "Esse aqui já foi preso, não quero. Esse aqui tá sendo investigado, não rola. Então eu vou... Opa, fiquei sem opção". Meu Deus! Meu voto vai sustentar alguém pelos próximos 4 ou 8 anos. Meu voto. A culpa vai ser minha. Sinto um pouquinho de vergonha, vontade de dizer que votei nulo porque em ladrão eu não voto. Mas eu voto em ladrão, sim.

Como disse um amigo numa carta há alguns anos. Sou um palhaço, minha vida é um circo. E o que isso tem a ver?

Ora!


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 12:45:35 PM

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Sábado, Setembro 23, 2006

- 22.setembro.2006 -

Hoje eu sai do arquivo tremendo de fome, mas pra economizar o dinheiro da cachaça eu não almocei. hihihi [A que pontos chegamos?] Mas eu comi! Enchi a barriga de coca-cola e comi algo que tinha frango [e um ossinho assassino].

Depois do almoço deu vontade de fumar. É como Kaline disse, depois de um tempo você passa a relacionar cigarro com tudo. Você bebe, quer fumar; você come, quer fumar; você f., quer fumar; você caga, quer fumar - ainda espero por essa [a propósito: google search esfíncter + nicotina]. Certo, mas... fui até a banquinha e não tinha Hollywood Menthol. Então o vendedor disse com voz de locutor de rádio dos anos 40:

- Você já experimentou o novo Derrrby Menta?

Holofotes foram direcionados a mim e vieram dançarinos de bengala e cartola dançando [não!] atrás dele. Com todo esse apelo fui obrigada a comprar o Derby. Foi terrível! Na primeira tragada me bateu logo a vontade de fazer um rejunte, sem contar que o cigarro tem gosto de cueca. Nam...

Esperei mais meia horinha pela minha primeira aula de Didática, apesar de avançado o período. Era a primeira aula porque até ali não fora escolhido o professor dessa disciplina. Chego na sala, sento, espero. A professora chega, pára, olha pra mim e dá o maior sorriso que eu já vi na vida seguido de um "BOA TARDE! SEJA BEM-VINDA, QUERIDA! COMO VOCÊ ESTÁ?" Tão simpática! Só tava esperando que ela dissesse que me amava pra eu pedir ela em casamento.

Ela começou a aula já no absurdo: "Eu quero que vocês me digam cinco palavras positivas para começarmos bem essa aula". Minha senhora, deixe de invenção, dê aula! "Gente, vamos lá, cinco palavras" Professora? Dê aula. "Coisas que vocês gostam, que precisam". Ai, meu Deus!

"Amor!" - foi uma mulher que disse essa, claro. "Amizade", "Paz". Blergh. Pronto, aí eu me manifestei. "DINHEIRO!" Ela: "Ah, claro, amizade e dinheiro são importantes, às vezes dinheiro é mais importante que amizade" O.o Agora eu acho que só eu ouvi essa... Eu ia dizer "sexo", mas pela cara de múmia dela, ela poderia dizer "é, eu ouvi falar nisso".

Essa professora é uma mistura de tia do maternal com apresentadora de programa infantil de tão doce que é. Disse que a educação tinha "um sentindo amplo... como... COMO O UNIVERSO!" Quase que eu aplaudo. Enfim, o nome dela é Erenilza. Ela é um ser humano vermelho e tem os cabelos tão loiros que eu assisti a aula de óculos escuros. Mas eu gostei, como você viram.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 1:40:40 PM

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Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Post removido por motivo de juízo maior.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 6:21:12 PM

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Domingo, Julho 23, 2006

Bem, não é todo dia que alguém me adiciona no MSN com tendências masoquistas.

Segue diálogo:

Benjamin Girl diz:
oi

Benjamin Girl diz:
te conheço?

Benjamin Girl diz:
eiiiiiiiiiiiiiiii

fat cat diz:
deve conhecer, já que foi você quem me adicionou.

Benjamin Girl diz:
responde

Benjamin Girl diz:
ker apanhar é? eheh responde logo....ops

Benjamin Girl diz:
ih seu humor naum tá bom hoje eh?

fat cat diz:
é, geralmente eu fico assim com pessoas de letrinha rosa

Benjamin Girl diz:
cum vontade de dar um soco?

fat cat diz:
não, meu bem...

fat cat diz:
eu tô até gostando de você

fat cat diz:
ainda nem excluí

Benjamin Girl diz:
;]

Benjamin Girl diz:
nem exclui, temos muito o que conversar

Benjamin Girl diz:
eu te conheço pessoalmente na verdade

fat cat diz:
hahahahaha

fat cat diz:
eu sabiiiaaaaa-a

Benjamin Girl diz:
vc foi indicada por alguém pra fazer algo, mas to mei o com vergonha de te propor heheh

fat cat diz:
não pessoalmente, eu acho...

fat cat diz:
meu deus

Benjamin Girl diz:
de vista sim

Benjamin Girl diz:
mas nem se preocupa, sei nada sobre vc

fat cat diz:
não estou preocupada quanto a isso, não tenho nada a esconder

Benjamin Girl diz:
será? hihi

fat cat diz:
será

Benjamin Girl diz:
gostei do teu jeito, é curta e grossa, enfim posso te fazer a proposta?

fat cat diz:
...

Benjamin Girl diz:
é o seguinte....

Benjamin Girl diz:
eu so meio masoquista sabe? e onde eu vivo, num meio social careta...não encontro gente que possa me bater, surrar, arrebentar mesmo...ai uma pessoa em comum que conhecemos me disse que vc é uma pessoa super-legal e q poderia fazer o serviço, o q acha?

Benjamin Girl diz:
posso pagar

fat cat diz:
*morrendo de rir

fat cat diz:
aaaiiii aiiii

fat cat diz:
meus amigos vão adorar ouvir essa

fat cat diz:
acho até que vou publicar no blog essa bonita proposta

Benjamin Girl diz:
kkkkkkkkkk

Benjamin Girl diz:
mas é sério

Benjamin Girl diz:
pode parecer absurda

fat cat diz:
olha, estou sinceramente lisonjeada com a proposta, mas acho que vou ter que recusá-la.

Benjamin Girl diz:
aliás é

Benjamin Girl diz:
ninguém precisa ficar sabendo ué

fat cat diz:
mas não se preocupa, deve ter alguém por aí que aceite o serviço...

fat cat diz:
gracinha

Benjamin Girl diz:
assim....

Benjamin Girl diz:
eu posso te oferecer muito dinheiro (não estou te zuando)

fat cat diz:
hahahaha

fat cat diz:
olha, pra falar bem a verdade eu acho que você tá tirando uma da minha cara. mas estou de bom humor hoje, ao contrário do que possa parecer. mas eu realmente não estou interessada em surrar desconhecidos, nem sei de onde você tirou essa idéia [um amigo em comum? sei], mas vou relevar...

fat cat diz:
eu conheço mais meio mundo de gente que adora apanhar e bater, mas não seria muito ético repassar e-mails alheios pra propostas desse tipo. talvez você possa procurar um profissional para isso, e, caso você não me conheça e só esteja querendo tirar uma, um psicólogo.

Benjamin Girl diz:
nossa, que lição de moral ehehe nem estressa menina...assim....

Benjamin Girl diz:
muitas pessoas, comovc mesmo disse , fazem isso espontaneamente..não acho q seja um distúrbio, é sei lá, uma inclinação masoquista mesmo somente isso

fat cat diz:
eu também não acho que seja um distúrbio... nem disse coisa parecida

Benjamin Girl diz:
e vc nem ia me machucr mto, só um pouquinho

Benjamin Girl diz:
ok

Benjamin Girl diz:
mas posso te faze uma pergunta?

Benjamin Girl diz:
ao contrário d q vc tá pensandu , não to te zuando não

fat cat diz:
ok, depois de eu respondê-la eu te deleto, porque já ri o que tinha que rir e preciso tomar banho pra sair...

fat cat diz:
mas pergunte...

Benjamin Girl diz:
o q vc prefere: bater ou apanhar?

fat cat diz:
eu gosto das coisas espontâneas

fat cat diz:
somente.

fat cat diz:
beijos e boa sorte na sua procura.

.

Pelo menos eu sei que sou uma pessoa super legal e de vasta fama. Mamãe iria adorar saber dessa história. Acho que iria ficar muito orgulhosa. "Olha, mãe, fui indicada por um amigo para aplacar os desejos masoquistas de um desconhecido, iupiii!" Imagina aí eu lasciva numa roupinha de vinil tirando sangue alheio com um chicotinho.

Sinto muito, querida, mas eu só bato em Monique. Sem paciência para fazer graça. Aqui eu só tenho tristeza e saudade. E nenhuma surra em vista.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 10:07:40 PM

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Sábado, Junho 03, 2006

Hoje Fábio e eu completamos três anos de namoro - agora é namoro! Como me aturar por três anos não é pra qualquer um, aqui vai um post dedicado ao amado. E aqui conto a história de como o conheci.

Eu andava pelas ruas pessoenses e, ao dobrar numa esquina, a pressa me fez esbarrar num garoto que vinha distraidamente na direção oposta, fazendo com que meus livros todos caissem no chão. Enquanto apanhávamos os livros ele pedia desculpas e eu nervosa apenas gagueja. Foi quando nossas mãos se tocaram e... E... não foi assim não. =/

Eu tentei.

Depois de algumas tentativas frustradas, finalmente o Palhaço Pipoquinha conseguiu se matar. [?!] Palhaço quem? Palhaço Pipoquinha! Um palhaço, fracassado como todo palhaço, que mantinha um programa na TV local. O programa era decorado em verde-limão e rosa-choque. Um luxo. O figurino das Pipoquetes combinava com o cenário. Sim, vocês leram PIPOQUETES mesmo. Elas faziam uma dancinha super elaborada [dois pra cá, dois pra lá], que, penso eu, deveria ser sincronizada, com suas luvas brancas e gingavam o corpo para balançar os trapinhos pendurados em suas roupas. Até hoje fico pensando por quê o Palhaço se matou.

Muitas piadas surgiram do caso. "O Palhaço Pipoquinha se matou: pulou da panela". E também... Er... Bom, só tinha essa piada mesmo. Nesse dia eu entrei no Irc como Pipoquete_Desempregada. Muitas pessoas abriram pvt rindo, mas uma em particular me chamou atenção. Aquela que acreditou em mim! Quem? Quem? Quem? Um tal de Fábio Viana.

Não foi difícil convencê-lo do meu desemprego. Ele queria que eu me descrevesse para talvez puxar pela memória [que ele nunca teve] uma figura dançante cheia de trapinhos flutuantes. Do outro lado eu ria que tinha dor de barriga. Depois desse primeiro pvt as coisas andaram com velocidade máxima.

Nos pvts ele contava as crises e eu falava de sexo. E em... uma semana? a gente se viu. Eu tinha acabado de completar 18 anos e esse foi o meu presente. hihi Temendo o silêncio constrangedor eu não parava a boca e falei de como foi o meu encontro de internet 5 dias antes, no dia do meu aniversário, onde levei o cara para uma consulta no ginecologista. ¬¬

Ele me deu um beijo praticamente na porta do banheiro. Eu olhei as horas e guardo até hoje o momento exato do beijo. E desde desse dia eu registro, guardo e anoto tudo. E, antes que desande de vez para a parte brega [porque aina não estava], é melhor parar... parar de perder tempo e migrar pra tua casinha. =*


Valeu, Pipoquinha!

.

[Eu te amo, Fabinho]


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 5:31:21 AM

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Domingo, Maio 28, 2006

Hoje minha homenagem vai para uma pessoa que eu gosto muito e que esteve sempre comigo: eu.

Porque hoje é o meu aniversário! Tchan dam!

Meu aniversário está sendo legal. Ganhei o que pedi a Monique hehehe e nas primeiras horas do dia eu estive na Lúcio Lins [casa da maconha, quer dizer, da cultura] com meus melhores amigos [se bem que faltou Deise, Berttoni e Kaline] - show de Azeite, Lado 2 e Mundo Livre.

Na hora em que tava tocando Lado 2 uma maluca [parecia] subiu ao palco e começou a... o que era aquilo mesmo que ela estava fazendo? Ah, dançando! Ela subiu ao palco e depois parou. Girou e parou. Depois arreganhou as pernas em cima da mesa e ficou parada de novo... Depois ela ficou de quatro em cima da mesa. virou a bunda pro público e fez a cabeça dos garotos. Em seguida ela desceu da mesa e... começou a pular. Isso, pular. Pulou e pulou e pulou... e pulou mais. Pulou tanto que eu fiquei cansada. Depois ela desceu do palco e eu comecei a falar mal dela. Claro que eu não sabia que ela estava bem atrás de mim.

Não pude agüentar, virei pra ela e perguntei se ela era vinculada a banda, se ela sempre fazia aquilo [o que a cerveja não faz com o ser humano]. Ela disse que sim e perguntou o porquê. "Porque tem que ter muita coragem pra fazer aquilo, viu". No final do show ela foi me perguntar porque eu tinha dito que era preciso coragem praquilo. Ai, meu deus. "Bom, porque as pessoas não estão acostumadas a esse tipo de coisa, sabe, blá blá blá" e ela falou de dança contemporânea. claro! sempre ela! ODEIO dança contemporânea.

Olha, mãe! Eu me jogo no chão e caio feito um saco de merda, me viro, levanto e dou um pulo idiota e descoordenado e depois alguém pisa em mim. Isso é dança. é verdade! Ai ai... ninguém vai acreditar nisso.

Bom, de qualquer forma, para incentivar a "arte" dela eu disse que... na verdade eu não disse nada incentivador. Só dei uns tapinhas no ombro dela e disse que ela tinha preparo físico. [...]

A tarde é para estudar... mas ainda aceito beijos e abraços. Pelo resto do ano...


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 3:16:01 PM

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Sábado, Maio 20, 2006

Sabe gente desesperada por dinheiro? Sabe? Pronto, eu. Passei tanto tempo sem crédito no meu celular que o nome "Oi" desapareceu da tela dele. "Mainha, a Oi desistiu de mim". Então fui ligar pro patrão [meu pai, não se enganem] pra ele liberar inocentes 10 reais. Passei meia hora sendo entrevistada.

"Você quer dinheiro, é? Mas não sabe me dar bom dia de manhã! Você vai pra universidade hoje? Depois vai dormir fora de casa, é? Por que você não dorme um final de semana em casa, hein, Luciola? É só aprender a dirigir! Não! Eu não vou dar o carro! Você vai aprender a dirigir só por aprender mesmo! Eu que vou buscar e deixar você nos cantos agora".

¬¬

Bom, no meio da ligação eu desisti dos créditos, do celular, da minha vida... "Painho, tá bom! Não quero mais dinheiro não! Aaah!" Até parece! Eu com 20 anos na bunda [sem piadas, por favor] e painho querendo me buscar nos cantos! GAAH!

"Painho, ic! eu tô aqui... no ic! Bebe Blues... vem me ic! buscar... ic ic ic!"

Ah, mas falta explicar o "mas não sabe me dar bom dia de manhã!" Bom, é muito simples. Painho sofre de uma coisa chamada de... carência afetiva. Pobrezinho. Então, meu caro, experimente passar por ele de manhã sem destinar-lhe o maior e mais caloroso bom dia! Mas não é só isso! O kit "obrigação em forma de educação" vem com um pedido de benção. Porque, vocês sabem, se eu quiser ser abençoada é bom que eu peça isso a umas das pessoas mais santas e puras que eu conheço: meu bob pai. "Bom dia" sem "'abença', painho" para ele é a mesma coisa que "bom, seu grande filho da puta!"

- Bom dia, painho.
- Bom dia, Luciola.
- ...
- CADÊ A ABENÇA?! CADÊ A ABENÇA?! OW, POVO MAL EDUCADO! O QUE EU FIZ PRA MERECER ISSO, MEU DEUS? PORRA! PUTA QUE PARIU!

Pronto! Eu começo a suar, perco o controle do esfíncter e, entre lágrimas, tento reverter a situação. Tarde demais! Ele já amaldiçoou as próximas três gerações da família. Ele fica um pouco mais calminho quando eu digo que peço a benção diretamente a Deus nas minhas rezas [anuais]. Apesar dele achar absurdo a idéia de pedir benção a Deus e não a ele, ele se acalma um pouco.

- Bom dia, mãezinha!
- Bom dia, meu amor.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 9:46:52 PM

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Quinta-feira, Março 30, 2006

Hoje de manhã enquanto Deus, cheio de tédio, coçava o seu saco sagrado Ele pensava "Ow, meu Eu, qual criatura vou testar hoje? Já sei. Aquela de cabelo feio ali" e apontou para mim. Porque hoje eu sofri.

Hoje de manhã fui ao cabeleireiro. O relógio ainda não havia alcançado a nona hora do dia e a única cabeleireira disponível encontrava-se gripada. Eu ainda não vivi muito, mas sei que gripe + sono + salário baixo = mal atendimento. Fui fazer uma singela escova progressiva [o cara que souber do que estou falando ganha... ganha um biscoito]. Bom, ela começou a escova. Deu duas tapas na minha cabeça, rodou a cadeira, aplicou um creme fedido na minha cabeça e nos meus braços. Nos braços foi sem querer mesmo, apesar dela sequer ter pedido desculpa.

Entre uma aplicação e outra ela espirrava na minha cabeça. Eu nunca havia feito escova progressiva e achei que catarro fizesse parte do processo, tudo bem. Uma hora e quarenta e cinco minutos depois da primeira parte, passamos para o secador. Pronto! Agora vou desabafar! Não existe aparelho no mundo que me ponha mais medo que o secador de cabelo. Qualquer aula de História Moderna me é preferível àquilo. Eu sofro. Quase choro! Saio suada, de orelhas queimadas e cara vermelha. E o filho da puta ainda pergunta por que tenho medo de chuva! Não é medo de desfazer a escova, é medo de fazer!

A obra já estava ficando pronta. Pedi humildemente à moça que deixasse meu cabelo repartido ao meio. Ela passou o pente de qualquer jeito na minha cabeça e achou que ficou bonito. Minha amiga, se aquilo foi no meio, eu nem quero imaginar aonde é seu cu.

Depois do martírio, finalmente saí do salão. Aliviada, apesar de "um pouco" mais pobre, fui comprar calcinha na Marisa - porque toda informação é válida. Depois tive que ir direto a Universidade devido à hora avançada. Almocei por lá mesmo, em Samuel.

O assunto da bancada da lanchonete era sobre... err... "seboseiras". Eu, no meu cantinho, só mexia a boca para mastigar. Uma gorda loira e maluca, tudo ao mesmo tempo, disse que odiava espirro dos outros. Eu balbuciei timidamente, e para mim mesma, um "nem me fale", mas o ouvido biônico da desgraçada captou o desabafo e aqueles olhões felizes se direcionaram para mim. Sabe aquele povo triste que fica falando sozinho à espera de alguém que complete sua frase na fila do banco? Pronto. Era o caso da loira maluca faladeira e biônica gorda do balcão. E, apesar daqueles ansiosos olhões caídos no meu prato, eu não disse mais nada e calei a boca com feijão. Sábio Chico.

Antes de entrar na 406 fui atrás de um banheiro. Entrei em um e encontrei uma senhora parada no meio do banheiro com ar interrogativo. "Será que ela sabe onde tá?" E, quando eu ia caminhando para a cabine, a mulher agarrou meu braço e perguntou: "tem chuvisco aqui?" TCHAM RAN! Pronto! Estou cercada de mulheres doidas! Errr... Como? - perguntei; e ela abriu a porta de uma grande cabine [para deficientes] e perguntou de novo. "Tem chuvisco aqui?" Minha Nossa Senhora! Chuvisco, chuvisco... chuvisco... E lá estávamos nós dentro da cabine, cada uma procurando por algo. Eu olhava pro teto, pro chão. "Será que chuvisco é um gato?", mas ela só olhava pro teto. Então comecei a procurar por alguma nuvem. Sei lá, chuvisco!

Foi então que vi uma torneira conectada a um cano. Aaah! É CHUVEIRO! Putz! "Ah, não, minha senhora, aqui não tem chuvzz... Aqui não tem isso não". Eu bem lá ia corrigi-la, dizer que era chuveiro! Deixa a bichinha, tá perto de morrer. Ela se virou sem dizer uma palavra e saiu. Eu fiz xixi.


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Hora: 11:36:04 AM

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Sexta-feira, Maio 02, 2008

O carnaval em Olinda teve mais do que o meu namorado apalpando a minha melhor amiga (antes de se assustar, leia o penúltimo post). Quem me disse que carnaval em Olinda é inesquecível, não estava brincando.

Após passarmos vários dias na rotina de subir ladeira de manhã - descer ladeira de tarde - tomar cachaça de noite - apalpar de madrugada, nos preparamos praquela que seria a última noite do carnaval. Fomos ao Pátio de São Pedro ver o show de Luiz Melodia. Camilo, Monique, o irmão do amigo que nos acolheu em sua casa, Thiago, e eu.

O show de uma banda muito legal, tão legal que eu esqueci o nome, começou e ficamos por ali, perto do palco. Logo bateu aquela vontade maravilhosa de ir no banheiro, que só acontece quando você está cercada por centenas de pessoas. A idéia de ir sozinha ao banheiro me angustiava porque eu sou cagona mesmo e não gosto de dar nem dois passos sozinha em Recife. Convenhamos, Recife parece Gotham City. Só que sem o Batman. Então, eu voltei para o bar que estávamos antes do show (o motivo da minha então ida ao banheiro).

Quando eu pus o meu pezinho no chão do bar, dois caras começam a se estapear da forma mais ridícula possível dizendo coisas do tipo "saia daqui seu viado, vá dar a bunda a outro". Poft! Zump! Bam! Alakazam! Como uma lady de bexiga cheia, eu passei discretamente entre golpes de Kung Fu mal elaborados e cadeiras voadoras. Parecia o Saloon antigo. Mas só na minha imaginação. A verdade é que a briga foi apartada logo por um policial que se encontrava o tempo todo no lustre (deve ser ali que eles ficam, porque ninguém nunca os vê).

Até aí, tudo bem. Esperamos pelo show de Melodia e tínhamos planos de ir logo em seguida ao show de Pato Fu, que ficava perto dali. O show de Luiz começa e todo mundo se empolga. Grita, se descabela, empurra. É lindo. É aí que meu pesadelo começa. Mas antes, uma introdução:

Em novembro fui com Camilo e dois amigos passar umas semanas na Chapada Diamantina. Após o primeiro dia de caminhada, notei que minha unha do dedão do pé (alguém está jantando?) estava doendo muito, resultado da pressão de um tênis apertado. No dia seguinte a unha estava vermelha, havia sangue entre ela e o dedo. E assim permaneceu até o carnaval. Não parecia ser uma unha muito segura de si. Mas eu a amava.

Em uma das últimas músicas do show, Luiz Melodia pegou uma sombrinha de frevo e começou a dançar com ela. Laralí, laralá... E eu achando o máximo. De repente ele decide presentear a platéia jogando a sombrinha. Eu já pensando "alguém vai voltar pra casa cego".

Ele joga.

A sombrinha começa a girar no ar, a girar, a girar e, vagarosamente (eu estava vendo tudo em câmera lenta), começa a vir em minha direção. Mas vinha de uma forma tão segura que eu nem estava acreditando na possibilidade de ser a escolhida pela sobrinha. Antes de eu levantar os braços (mais na intenção de proteger minhas córneas do que propriamente para agarrar a sombrinha), um ser sombrio e demente, conduzido pelo Cão, se jogou na minha frente pra agarrar a maldita sombrinha. Outras pessoas fizeram o mesmo, eu achei que até os músicos fossem se jogar. Foi quando eu senti um chute e uma cosquinha no pé.

Quando eu olhei pro meu pé, vi que haviam arrancado a minha unha do dedão do pé esquerdo. Isso, pasmem. E pior: a unha ainda se sustentava pela base num ângulo de 90º em relação ao dedo. Eu fiquei uns segundos sem entender o que tinha acontecido. Olhei, olhei. Nem disse nada a Camilo, eu queria primeiro entender o ocorrido. Quando eu entendi, passei mais um tempo para acreditar que minha unha havia sido arrancada do meu pé POR CAUSA DE UMA SOMBRINHA DE FREVO! Francamente!

Serenamente, eu apontei a unha para Camilo e Thiago (Monique estava com uns amigos). Eles me levaram ao posto médico. Do dedo jorrava sangue, era impossível tocar. Os competentes médicos não sabiam o que fazer comigo. Acabaram por fazer um curativo que deve ter consumido cinco metros de gaze e dois quilos de esparadrapo (quem viu o curativo sabe que eu não estou exagerando). O peso do curativo tornou minha ida ao show de Pato Fu impossível. Revoltada, segui para casa e passei três dias sem andar.

(quatro semanas depois)

Minha unha finalmente caiu, outra está nascendo por cima. Estou tentando levar a vida como uma pessoa normal, apesar da discriminação. As pessoas me apontam na rua, olham torto. Meu namoro acabou. Dedico esse post a todas as pessoas que já perderam alguma unha na vida, em especial a Monique, que já perdeu a unha do dedão da mão ao tentar estudar em si mesma os efeitos de uma porta de carro fechada em cima do dedo.


Obs: o iluminado que souber como faço para aumentar a fonte do blog, por favor, se manifeste.


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Hora: 9:59:45 PM

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Quarta-feira, Março 12, 2008

Outro motivo que me fez ficar afastada por uns tempos, foi o término de um namoro de quatro anos e o começo de outro. Fábio e eu decidimos que estaríamos melhor como amigos.

Mas já no mesmo fim de semana em que terminamos, conheci a próxima vítima: Camilo. Foram 48h de peleja até o abate. Nos demos muito bem, começamos um namoro, mas eu precisava unir os meus dois melhores amigos: o ex e o atual.

Rejeitando todas as regras que regem essa sociedade idiota e recusando todos os avisos das pessoas de cabeça pequena, consegui o que queria e agora todos são felizes. Bebemos, saimos juntos, rimos e enfrentamos as fofocas.

É preciso dizer que Camilo tem um sono deveras estranho, com direito a bruxismo, pesadelo, sonambulismo e outras atitudes suspeitas. Numa bela noite, depois de um show cansativo, eu tive a genial idéia de dormirmos todos na casa de Fábio (que ficava perto do local do show). Não, ninguém fez suruba. Bando de tarado. Mas no meio da madrugada, Fábio foi no banheiro e, não me pergunte como, acabamos trocando de lugar nas camas (duas camas juntas de solteiro). Camilo, muito carinhoso como é, foi acariciar a namorada e acabou dando um belíssimo beijinho no cotovelo peludo de Fábio. Fábio deu o que nós nordestinos chamamos de pinote e... Lembrando que "pinote" não é "cu".

pinote

de pino

s. m.,
salto de cavalgadura quando escouceia;
pulo;
pirueta;
pincho.


Se bem que dizer que o cara deu uma pirueta depois de ter recebido um beijo também fica altamente gay, né? (Ele vai me matar quando ler esse post). Continuando... Fábio deu um pulo da cama. Reza a lenda que eu, meio dormindo, meio acordada, incomodada com a perturbação, perguntei "vocês tão namorando, é?!" e voltei a dormir. Eu não lembro disso, mas tudo bem.

Depois desse acontecimento, Fábio nunca mais quis dormir perto de Camilo, ele agora se refugia no sofá. "É mais seguro. Não que eu me importe, mas eu não quero deixar o cara constrangido, né?". Hahahaha Tá bom...

Dizem que rolou ainda um diálogo entre eles no momento do beijo:

- Camilo, ô, Camilo, Luci tá do outro lado.
- Eu sei...

Já em fevereiro, Camilo, Monique e eu, fomos passar o carnaval em Olinda, na casa de um amigo. Depois do dia de intenso frevo e pisadas no pé, dormíamos bravamente em colchonetes pelo chão. Em uma certa manhã, Camilo acorda, olha pra mim e confessa: "acho que eu peguei na bunda de Monique". Dessa vez ele foi mais esperto.

Disseram que Monique avisou:

- Camilo, tu tas pegando na minha bunda...
- Foi mal, achei que fosse Fábio.

É, é difícil a vida de namorada de sonâmbulo tarado. Mas quando ele me acerta, vale a pena.


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Hora: 12:42:47 PM

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Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Parte II

Depois de sair da escola, fui direto pra casa preparar a aula do dia seguinte, já pensando em desis...

Opa, nada disso! Eu sou uma pereirinha! HAHAHA ("piada" interna para a minha amiga Tal, pistoleira barata, que fez 32 anos dia 24).

Sim, mas... Como a Globo me fez acreditar que eu sou brasileira e não desisto nunca, eu respirei fundo no dia seguinte pra dar o segundo dia de aula. Na bolsa, além da sombrinha e do celular, iam um livro de História, um soco inglês e um spray de pimenta. Só pra garantir. Eu tava mais calma, afinal, depois do dia anterior, o que viesse seria lucro.

Admito que esse dia foi bem melhor. Dei a primeira aula do dia e, quando o sinal tocou, duas alunas vieram conversar comigo.

- Professora, a senhora é de onde?
- De Campina Grande.
- Nossa, a senhora nem parece ser daqui!

Lembram daquele filme ET? É, eu também lembrei dele. E outra, A SENHORA? Esses jovens de hoje em dia não respeitam mais ninguém! No meu tempo eu teria dado umas boas palmadas! Bom, depois eu voltei pra sala.

Na aula seguinte, entrou um daqueles caras que representam tal escola de informática trazendo algum desconto babaca pra aulas de computação. "Com este panfleto você irá ganhar um desconto de 10% no curso de digitação". Como meus alunos eram muito educados e decentes, ficavam o tempo inteiro tentando atrapalhar o que o cara tinha a dizer perguntando coisas sem sentido. Aliás, igual como eles fazem na aula.

A encarnação de Satanás, que na aula passada perguntou se podia me chamar de Lu, ficava interrompendo o pobre coitado. Hora de eu entrar em ação! No dia anterior eu teria mandando ela calar a boca, teria me estressado. Mas naquele dia eu me limitei a olhar pros olhinhos dela e fazer uma cara de "mais um pio e eu arranco seu clitóris com um alicate". E ela se calou. Foi lindo.

E mais ou menos assim se seguiu o restante das aulas. Agora percebo que deveria me sentir mal pelo futuro deles, não pelo meu. De qualquer forma, o que está feito, está feito (adoro essas frases que não querem dizer nada).

Agora, só pra finalizar, queria comentar sobre um comentário do último post:

"Enfim, realmente não entendo o porque de passar 4 anos estudando para ser professora! Muito menos de história!"

Espero que isso tenha sido um comentário irônico.


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Hora: 5:05:05 PM

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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

I Parte

Peço perdão aos que inutilmente passaram seis meses entrando aqui à procura de atualizações, mas eu precisei desse tempo pra vagabundar calmamente sem pressões de nenhum tipo. Mas agora vou começar a explicar o que aconteceu pra que eu passasse todo esse tempo desaparecida do Circo que vos acolhe.

Ano passado, pelos idos de outubro, eu passei pela experiência mais traumática e, ao mesmo tempo, mais encantadora da minha vida: dei aula numa escola. Sim, porque por algum motivo eu estou há quatro anos estudando pra ser professora (de História). Passei quatro anos idealizando minha primeira aula, o rosto dos meus alunos, minhas técnicas de ensino e as torturas que aplicaria aos alunos desinteressados.

Na verdade, as aulas faziam parte de um estágio de apenas 20h/aula em alguma escola pública. O negócio era simples, duas semanas na escola, relatório final à universidade e diploma na mão. Mas não foi tão fácil. Não. Nunca é. Olha o nome do blog!

O colégio escolhido ficava a 5min da Universidade. Quando entrei, lembrei do Carandiru. Encontrei pessoas (as crianças) que falavam mais palavrão do que eu. Escutei um que me deixou vermelha, eu não sabia o que era, mas era parente da xoxota.

O professor, adepto da campanha JK (50 anos em 5), era uma alma acabada e desgastada pelo trabalho. No primeiro contato, na sala dos professores, entra uma professora evangélica e louca que desabafa: "Olhe, quando eu vejo esses meninos, eu tenho vontade de apertar assim (faz o gesto) o pescoço deles ateeeeeeé (fica vermelha) estrangular!" (se recompõe). Calma, Luci, calma, isso não quer dizer nada.

- Então, professor, eu gostaria de ficar com o 7º ano...
- Ah, minha filha, você vai ficar com a pior turma da escola, o 7ª B!
- Glump...
- Camila!
- Camila?
- Camila!
- Mas qu...
- CAMILA! Camila é o CÃO! Eu já fui parar no hospital por causa dela! Blá blá blá...

Então ele me dá o nome de pelo menos cinco alunos que me causariam e dor e sofrimento. Eu não os anoto. Quero esquecer. Na saída, uma encantadora criança surdo-muda tenta comunicar-se comigo e com uma amiga minha (que também daria aula lá). Passo duas horas tentando entender o que aquela porra tá dizendo, sem sucesso. Em casa, preparo com carinho as aulas, procuro introduzir piadas espirituosas. O mundo é bonito.

Chega o Dia D. Tentando disfarçar o pânico, procuro permanecer séria quando entro no colégio. Espero o sinal no pátio. As crianças me encaram, não têm medo de mim. O garotinho surdo-mudo se aproxima e diz "boa tarde!"

- Ouxe, menino?! Tu num era mudo?!
- Era!

Filho duma puta! O guri falava mais que Galvão Bueno! Ghrrr! Mas enfim, o sinal logo tocou e eu fui calma e firmemente andando pra sala enquanto 50 crianças tentavam me derrubar. 7ª A: crianças desnutridas com 1,30m de altura. Foi então que eu escutei: "professora!" De primeiro eu não dei importância. Depois entendi, era comigo! Eu era a professora! Que emoção! Eu consigo enganar!

- Professora, posso beber água?
- Não.
- Ir no banheiro?
- Não.
- Mas...
- Não.

Eu estava embriagada pelo poder. (Mas que poder?) Hoje eu percebo que só consegui ministrar aquela primeira aula porque os guris estavam completamente abestalhados pelo fato de haver uma professora nova. Lembro que alguém desabafou: "o professor chama a gente de mizera!" E viva o ensino público!

Depois de 45min, o sinal bate, hora de ir ao famigerado 7º B. Na sala ninguém me ouve, ninguém me olha, ninguém se anima. 35 adolescentes desnutridos com 1,70m de altura. O que não tinha um dente da frente sentou de costas. A de tranças cochichava com a amiga enquanto me olhava e ria. Eu queria sair dali.

- Meu nome é Luciola, eu sou uma estag...
- Professora!
- Sim?
- Posso te chamar de Lu?
- Minha filha, você pode me chamar de qualquer coisa, menos de puta.

(Suspiro profundo).

Naquela hora, enquanto eu tentava acreditar no que eu tinha falado, eu soube que eu só poderia dar aula pra adultos. Adultos com um senso de humor bizarro. "'Menos de puta'?! Caralho, Luciola, tu num tá em casa, puta que pariu, a menina vai ficar chocada..."

A menina cagou de rir, disse algum palavrão e se calou satisfeita. Eu tava no meio de um bando de delinqüente maluco. Eu queria minha mãe. Eu levava tanto tempo pra acalmar os alunos e trazê-los para dentro da sala que a aula não durava 10min. "Normal", dizia o professor.

Volto pro 7º A, terceira e última aula do dia. No pós-intervalo, a sala estava mergulhada no caos. Criança correndo, gritando, pendurada na janela. Me exaltei, ameacei de morte, fiz terrorismo. Nada.

- Professora, coloca os bagunceiros pra fora!
- Se eu fizer isso sai até você, meu filho.

O espertinho se cala. Eu fecho o livro, apago o quadro e abandono a sala. Ao sair da escola eu desabo no choro, repenso nos meus quatro últimos anos e nos 50 anos futuros e choro mais.


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Hora: 11:29:31 AM

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Terça-feira, Outubro 02, 2007

Aos que aqui chegam esperando meu retorno com paciência, obrigada! Mas esta criatura se encontra mergulhada entre seus trabalhos universitários e... O tempo acabou! Volto no final de outubro! Abraço aos bons!


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Hora: 1:49:18 PM

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Quinta-feira, Agosto 09, 2007

Eu sei que andei sumida, mas é que eu passei esses dias ocupada. Ocupada andando de ônibus. Morar no extremo norte da cidade e estudar no sul é privilégio de poucos. Valeu, Jesus!

Outro dia eu tava esperando o ônibus no Terminal de Integração. Ninguém gosta de andar de ônibus, mas basta o bendito entrar pelo Terminal que as pessoas esquecem de onde vieram e pra onde vão. São 70 pessoas e só há 50 assentos. Os cálculos são feitos em silêncio, as pessoas se entreolham. A adrenalina sobe. O clima esquenta...

O único intuito delas é conseguir algum lugar no ônibus e isso se torna uma disputa incrível. Os milagres de Cristo podem ser vistos claramente através das manifestações do povo. Pra pegar o ônibus o cego vê, o aleijado anda e a mulher grávida corre. Leis da Física são quebradas. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar? Não no Terminal de Integração de João Pessoa. Eu já vi duas mulheres entrarem no ônibus e se tornarem três lá dentro.

Eu tou em tom de brincadeira, mas eu confesso que tenho medo às vezes. É incrível a força que uma mulher de 80 anos pode ter quando quer andar sentada no ônibus. Elas arremessam seus filhos coletivo adentro, dão cotoveladas e, em última instância, gritam. Um grito aborígine, sabe... AAHHH LULULU! E somem ônibus adentro.

Eu, branquela amedrontada, criada à base de Leite Ninho, ainda tremo o queixo de medo quando o ônibus se aproxima. Motorista e cobrador têm que andar armados se não quiserem perder o lugar. Enfim, é a visão do inferno que eu dou testemunho diariamente. Mas apesar disso, é legal andar de ônibus.

Ontem mesmo uma menina que tava com o namorado declarou em tom de orgulho: "Não, mas agora eu vou dizer, eu vou dizer... Eu e Wânia, a gente é tão unida, mas tão unida, que quando uma tá doente a outra fica também". Eu nunca contenho o "ai meu deus do céu" com esse tipo de testemunho. Pois é... Quando Wânia teve rubéola, ela também teve. Quando Wânia teve gripe, ela teve também. É realmente uma amizade admirável. Bom, deve ter mais coisas que me fazem gostar de andar de ônibus. Eu só não consigo lembrar de nenhuma agora.


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Hora: 10:32:12 PM

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Domingo, Julho 22, 2007

[junho - 2007]

Vai ser difícil escrever esse post. Ele fala sobre a demência de um ser humano perturbado. O ser humano, claro, sou eu.

Que eu sou uma pessoa que se impressiona fácil, eu já sabia, e quando o assunto é sobre morte, assalto, estupro etc, o tormento no meu juízo se triplica. Antes de eu contar a história de hoje, vou dar um exemplo de como eu sou cagona.

Uma vez, lá pelos idos de 1999, 2000, eu estava em Praia de Campina - PB, uma praia isolada onde os pais de Monique têm uma casa. Era noite e a praia estava bastante esquisita. Como não tínhamos nada pra fazer e éramos abestalhadas, decidimos passar o tempo contando histórias de terror. (Ui).

Na praia só estávamos Monique, eu e o breu completo. Fomos caminhando em direção ao nada e comentando casos intrigantes sobre assombrações. Eu olhava pra trás o tempo todo, apertava os olhos e procurava me certificar de que estava tudo bem ao redor. Numa dessas olhadas, me deparo com um vulto se aproximando numa grande velocidade em direção a mim. Eu só tive forças pra dizer "ai, meu deus", perdi a cor, fiquei imobilizada e muda.

Monique, num acesso de solidariedade, sai correndo e me deixa. Então o pobre trabalhador em cima de sua bicicleta continua andando e, admirado com as duas lesas assombradas, solta um "oxe" reticente e segue. Sim, era só um morador local.

Entenderam o drama, né. Sigamos...

Ontem de madrugada estávamos eu, Monique, Fábio e Felipe no Bebe Blues quando o garçom anuncia que a cerveja acabou (só em João Pessoa mesmo!) Inconformados, saímos do bar, nos sentamos numa calçada e conversamos sobre qualquer besteira. O guardador de carro, com seu bom coração, disse pra gente tomar cuidado, que ali era um lugar perigoso e contou duas histórias cabulosas de assalto ali que me deixaram muito impressionada.

Decidimos sair de lá e fomos andando pra uma pastelaria. Entramos numa rua esquisita e eu me deparei com um bando de homens rodeando três mulheres. Eles estavam calados e pareciam se preocupar com nossa presença. Foi nesse momento que meu cérebro assustado e quimicamente alterado teve uma brilhante conclusão: isso é um assalto!

Estimulada por uma injeção de adrenalina e demência, eu simplesmente gritei CORRE! CORRE! CORRE! CORRE! CORRE! Soltei Fábio, peguei a mão de Monique e saí correndo. Correndo! Eu me senti Antonio Banderas fugindo em câmera lenta entre tiros. Quando eu olhei pra trás os meninos estavam ora correndo, ora andando, sem entender porra nenhuma. E eu já tinha até ganhado mais um assustado: um amigo nosso que estava numa parada de ônibus veio assombrado saber o que estava acontecendo.

E eu correndo... correndo...

Só parei quando cheguei no bar, e, ainda assim, quando vi que os caras estavam vindo em nossa direção (tão inocentes quanto o ciclista), eu entrei em pânico. Bom, foi ridículo. O detalhe de eu ter soltado a mão de Fábio também foi espetacular, ainda bem que ele aprovou minha opção. Fica aqui registrado o pseudo-assalto mais perigoso da minha vida!

(Agora a pergunta: e quando for de verdade? Hihi).


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Hora: 11:20:04 PM

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Sábado, Julho 07, 2007

Post dedicado a Pricah que encontrou Jesus depois de ler meu blog. =*
(Obrigada!)

Cansada da minha aparência de minhoca morta, fui procurar uma academia pra garantir que nada vai sair do lugar durante os próximos anos. Não é que eu seja uma completa sedentária, afinal de contas, eu recorro a "exercícios alternativos" pra me exercitar, mas eu nunca entrei numa academia pra malhar.

Me vesti a caráter, ri de mim na frente do espelho e saí de casa. A professora ficou impressionada quando eu disse que não malhava, pois eu tinha todo um porte.

Eu sei, ela deve dizer isso pra todas.

Começamos pela bicicleta, foi tranqüilo. Depois ela me levou pras máquinas e me mostrou o que eu tinha que fazer. Em uma delas eu deitava, ficava com as pernas pro alto e tinha que empurrar o peso lá. Me preparei e ela disse "empurre". Eu usei toda a força que eu tinha pra empurrar e o negócio não se mexia.

- Vamos, força!
- Ahhhhh!
- Respire, respire...
- Uf uf uf... Ihhhhh!
- Tá quase, vamos lá, força!
- Uuuiiiaaaaahhh!

Quando eu já tava entrando em trabalho de parto, consegui. Coloquei minhas tripas pra dentro de novo e continuei o exercício. Numa segunda máquina, enquanto eu sentia os ligamentos da minha perna se soltarem, me questionei: pra que tudo isso mesmo? Como não obtive resposta divina, segui caminho.

No dia seguinte, ou seja, hoje, era a vez de malhar os braços. Na primeira máquina eu me dei bem. Na segunda foi um pouco mais difícil, mas eu levei adiante. A professora já tinha perguntado duas vezes se eu nunca tinha malhado (hihihi) e, possuída pelo demônio, me levou a uma máquina que fez com que eu pagasse todos os pecados da minha família. Enquanto eu malhava, um filme da minha vida ia se passando pela minha cabeça. Eu queria ter tido um filho, falado pra Letícia não deixar de estudar, dizer a Monique que ela é lesa... E, quando eu já estava caminhando pra luz branca, fiz a última seqüência e parei.

"Lu, pra terminar, faça 10 min na esteira" - Ela recomendou que eu fosse diminuindo gradativamente a velocidade quando chegasse no 9º minuto, "porque geralmente os iniciantes ficam tontos quando saem dela". Eu que sou orgulhosa e tou mais pra inicianta, botei pra foder na esteira, mas comecei a diminuir já no oitavo minuto. Quando saí dela fui cambaleando discretamente pra algum lugar e a professora perguntou se eu tava tonta. Nada, é que eu gosto de andar de lado mesmo.

Fui pra casa de sentindo um herói de guerra e animada! Porque amanhã tem mais!


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Hora: 9:41:55 AM

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Sexta-feira, Junho 29, 2007

Essa semana eu passei por algumas experiências inusitadas. Na quarta-feira, 27 de junho, Monique, Fábio e eu decidimos ir ao Centro Histórico, onde um belo forró pé-de-serra (e uma tempestade) nos aguardava. O Gabinete de Fuba, um bar que prometia triângulo, sanfoneiro e zabumba, foi o escolhido.

A chuva começou e colocou pra dentro do bar todos os mendigos e hippies da praça. O cheiro de enxofre dos suvacos que não sabiam o que era água, deixou três mortos e oito feridos. Todas as pessoas do bar, juntas, tinham apenas 17 dentes. Era bonito de se ver. Mas uma criatura em especial me chamou a atenção. O mendigo-rei, ou lascado-mor, como queiram, além de exalar um odor, com eu diria... marcante, era uma figura legal de se observar. Ele tinha apenas um dente solitário. Uma metade dele (do dente) estava podre, a outra metade não existia.

Em determinado momento da noite, notei que o bar era composto, em sua grande maioria, por homens. Mesmo assim o zabumbeiro insistiu que formássemos uma quadrilha (de São João). Fábio foi disputado com grande violência por mim e por Monique, tendo eu vencido por motivos óbvios. Monique ficou com um de oito dentes.

Eu realmente não lembrava de como se dançava quadrilha, e tive grande surpresa quando o filho da puta do zabumbeiro gritou "BALANCÊ!" E lá vai todo mundo trocar de par. Adivinha com quem eu dancei? Claro, com o Mendigo-Rei! Eu tentei pegar na mão dele, mas não consegui. Entre os dedos dele e os meus havia uma crosta, um casca dura de grude que conservava ainda os micróbios do São João de 1982 daquele homem. Eu fiz o que pediram e balancei; sacudi tanto aquele coitado, crente que tava dançando. Quando eu o soltei, ele saiu descontrolado pelo salão e se atracou com outro ser humano. Acho que ele nem sabia o que tava acontecendo.

Depois de dançar com quatro banguelos e cinco bêbados, me agarrei a Fábio e não parei de dançar nem quando ele quis ir ao banheiro. Paguei a conta dançando com ele, saí do bar dançando, entrei no carro dançando e só larguei porque ele teve que descer do carro. Uma pena.

Tive apenas quatro horas de sono antes de acompanhar mi madre ao hospital no qual ela iria passar por uma cirurgia pra tirar as varizes. Demos entrada no hospital e ela seguiu pro seu quarto. A cirurgia demorou 40 min para começar, porque ela estava esperando com a anestesista em uma sala, enquanto o médico e a enfermeira aguardavam em outra. Fiquei bastante aliviada quando vi minha mãe sob responsabilidade de equipe tão competente.

Ela voltou pro quarto toda enfaixada e gemendo de dor. Lembrava uma múmia, a diferença é que a pele da minha mãe é melhor. Ok, existem outras diferenças entre minha mãe e uma múmia. Mas o que importa é que ela, a despeito da equipe fajuta, está bem. Voltou pra casa no dia seguinte, meu irmão foi nos buscar. Minha mãe estava contando pra ele como havia sido a cirurgia. Disse que na cirurgia o médico não tirou a safena dela, apesar disso ser muito comum. Então meu irmão supreso:

"A safena?! Mas é tão importante! Quando se tira, não se faz nada com ela? Simplesmente a joga fora?"

Não, meu filho, o médico leva pra casa e faz uma sopa. Ô, meu deus, é cada uma. Bom, o doutor receitou repouso e disse que ela evitasse andar. O passinho dela tá bem curto, ela anda a 2m por hora, é lindo. Mas agora me dêem licença, eu vou cuidar da moça :)


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Hora: 7:47:57 PM

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Terça-feira, Maio 22, 2007

18 de maio de 2007, sexta-feira

Ah, dias caóticos! Sempre que eu ultrapasso os portões da Universidade, eu perco o controle sobre minha vida. São horas de tensão em que fico a esperar pelo próximo biruta que vai fazer alguma coisa na minha vida parecer infame.

Maria não tem mais me perturbado (não, ela não morreu) e é maravilhoso dizer essa frase sem acordar depois. Mas como alegria de estagiário dura pouco...

Hoje de manhã no estágio, depois do fim do meu intervalo de dois segundos e meio para o lanche, eu retorno para meu cativeiro e volto a trabalhar. Noto, através da janela de vidro, na sala ao lado, dois garotos de jornalismo (que insistiam em falar e agir como garotas) conversando com Laura sobre algo que os meus perturbados ouvidos não captaram.

Com o canto do olho noto que, da outra sala, um deles me observa com atenção; viro o rosto impaciente e me deparo com uma criatura pronta para tirar uma foto minha. Meu olhos devem ter saído esbugalhados na foto tamanho o susto que tive, me senti um animalzinho sendo capitado no seu habitat natural. Mas é isso, não tenho domínio nem mesmo sobre a minha própria imagem.

Tive uma súbita vontade de torturar alguém.

Passos vinham em minha direção. As moças, quer dizer, as comadres, quer dizer, os alunos entraram pela sala e se aproximaram de mim. Um com a câmera e o outro com um bloquinho de notas na mão. Este:

- Oi... qual teu nome?
- Luciola.
- Lucioooola de queee?
- Regina.
- Regina tipo R-E-G-I-N-A?
- Não. Regina tipo W-F-X-B-Z-Y.

Fiquei imaginando a professora tentando alfabetizar esse menino, tive pena dela.

- Escrevam CA-SA.
- Gato?
- Casa.
- Gato?
- Casa, caralho.

Mas eu continuei trabalhando, impassível. Tentei parecer o mais ocupada possível e mexer em vários papéis com ar sério e concentrado para que eles tirassem alguma foto decente de alguma pessoa decente. Hihi. Mas aí o rapazote disse "posso te pedir um favor?"

[Minutos de tensão]

- Sim...?
- Tu fica olhando pra esse papel que tá aí do lado pra eu poder tirar uma foto legal?

O papel tava em branco. O máximo que ele ia conseguir era me deixar com cara de autista. Mas eu fiz, né...

Tentei descontrair perguntando "vocês conhecem Kaline? Kaline Maria?" Por que, Luciola? Por que você foi perguntar isso? O menino deu um piti que achei em que ele fosse quebrar a máquina na minha cabeça. "Todo mundo pergunta por essa menina!" Não, ele não tinha raiva de Kaline, ele é apenas uma pessoa alterada. Depois ele se acalmou e disse que conhecia.

Rezei fervorosamente para que eles fossem logo embora e essa foi a única coisa que deu certo no dia. Foram explorar a bibliotecária na sala ao lado e, quando passaram por mim para irem embora, disseram "xau, pessoa". PESSOA! PES-SOA! Meu irmão, eu tive vontade de pegar aquele cara pelo cabelo escovado dele e meter no chão até ele dizer meu nome de trás pra frente e de frente pra trás. Mas eu não fiz isso. Eu disse "xau..."


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 4:23:51 PM

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Quarta-feira, Maio 16, 2007

Diário de um detento
14 de maio de 2007


Aqui estou, mais um dia. Sob o olhar sanguinário do vigia. Seis da manhã: o despertador sacode meu cérebro. Acordo idiota e um filme de terror sobre o que terei de fazer durante o dia se passa rapidamente pela minha cabeça e a angústia me domina: é segunda-feira.

No ônibus, uma senhora que devia estar bêbada se desequilibra com o freio dele e vem desgovernada em minha direção. Você não sabe como é caminhar com a cabeça na mira de uma HK. A mulher parecia um pirocóptero. Prevendo a tragédia, eu cedo meu lugar a ela: "venha, sente aqui logo antes que a senhora mate alguém". Mas, antes que eu pudesse me levantar, ela senta nos meus pulmões. Ótimo! Metralhadora alemã ou de Israel. Estraçalha ladrão que nem papel.

Depois eu consegui um lugar na janela ao lado de uma outra velhinha que parecia um passarinho. Essa usava boné de palha e tênis. Eu não gosto dessas velhinhas de tênis, elas são tão elétricas e ágeis e saudáveis! Isso é contra as leis da natureza.

Essa, no caso, parecia ter DDA, não sentou a bunda um só momento na cadeira, e, quanto mais o ônibus enchia, mais ela se aproximava de mim. Na muralha, em pé, mais um cidadão José. Servindo o Estado, um PM bom. Olhava ameaçadoramente e chegava mais perto, olhava e chegava mais perto.

O detalhe é que a velha estava pregando de suor (isso explicava o tênis) e teimava em se encostar em mim. Quando vi, eu já tava pendurada pra fora do ônibus e velha se chegando. Sinceramente, eu não sei como agir com esse povo. Como é que um ser de 70 anos e 23kg me pressiona dessa forma! Vários tentaram fugir, eu também quero. Mas de um a cem, a minha chance é zero.

Finalmente cheguei na universidade. Apesar da minha moral em baixa, eu estava cantando e andando alegremente, parecia uma princesa de filme da Disney na floresta. De repente, eu não sei como, onde e nem porquê, eu tropeço violentamente em algo e passo uns 20 min tentando me equilibrar novamente.

Quando fui ver, eu simplesmente tinha tropeçado em um fio que estava pregado à parede! Sim, eu tropecei em algo que estava numa parede. O alcance das minhas pernas é realmente fantástico. O fio machucou meu pé, abriu uma ferida, parecia as chagas de Cristo. Será que Deus ouviu minha oração? Será que o juiz aceitou a apelação? Com essa onda de canonizações que anda rolando pelo Brasil... Me senti iluminada. Ah, caiu uns cupins em mim também, cada vez que eu sacudia o cabelo caia uns cinco no meu colo.

Foi assim, com o pulmão danificado, melada de suor de passarinho, com uma família de cupim no meu cabelo e o pé semi-aberto por causa de um tropeção, que começo minha semana. Mas quem vai acreditar no meu depoimento?

14 de maio de 2007,
Diário de um detento


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 4:34:37 PM

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Terça-feira, Maio 08, 2007

Sim, sim, pretendo atualizar algum dia.
Mas por enquanto a vida acadêmica me consome.

Um abraço aos esperançosos.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 1:26:49 AM

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Quarta-feira, Março 28, 2007

Depois de ser ameaçada de morte três vezes, decidi atualizar o blog. Na verdade eu me assustei com o tamanho da lista das palavras-chave dos sites de busca (leia-se Google) e decidi fazer a parte II do post. Acredito que haverá a III, IV, V... Porque enquanto houver gente procurando por quero fazer agora um site totalmente gratuito sem pagar nada, explicação física abertura feita por projétil fuzil corpo programa ou ainda como colocar crédito no celular claro sem pagar nada, haverá um circo sem futuro registrando tudo isso.

Eu adoro essas frases! Muitas vezes eu acesso a internet só para ver os absurdos do dia. Gosto particularmente das frases punheterísticas. Dá uma pena...

Existem os inexperientes:
como chupar uma buceta, técnicas de punheta qual jeito melhor de bater, forma de simular vagina, pontos como deixá-la louca.

Existem os exigentes:
buceta paraibana - Até parece que uma pernambucana não serviria.
peitos pra fora somente isso - Somente isso, hein! Se tiver um pedacinho de vagina eu não quero nem ver! Ave maria!
quero falar com mulheres bem putas - Só puta não serve?

E o homem culto procurando pornografia?
mulher copulando - Esse daí deve se masturbar com o mindinho levantado.

Mas as procuras não são somente de homens e nem somente eles são inexperientes quando o assunto é relacionamento:

como fazer sagitariano se apaixonar - Abra as pernas (esse conselho se aplica a qualquer signo do zodíaco).
frases para quem está com dor de cotovelo - Se fudeu!
frases depois que termina o namoro - Bom, eu não sei dessa, mas uma boa frase pra voltar é: "tou grávida". É tiro e queda, você pode usá-la até quando estiver menstruada.

Também adoro quando o pessoal leva um papo com o Google:

falam que o tubarão não pega câncer - é, falam...
estou com o celular da vivo e quero sair do pós-pago - "O que será que eu faço, Google?"
depois de muito tempo sem fumar deu vontade de novo - "Puxa vida, cara, que barra, hein!", "Pois é, Google, eu não sei mais o que fazer da vida".

(Suspiro profundo)

Ah, e vocês lembram da menina que queria engrossar as pernas? Pois bem! achei como engrossar pernas. Eu fiquei muito feliz por ela.

E outras dezenas de bobagens aleatórias:

oportunidade de emprego porta giratória - Você sabe quando a situação tá difícil quando até as portas giratórias vão atrás de emprego.
funcionária fofoqueira como agir - Manda matar! (Que Maria não me leia).
mensagem para uma futura mamãe de gêmeos - vide comentário sobre frases para quem está com dor cotovelo.
foto de criança morrendo mamute esperando para comê-la - Bom, eu acho... é um palpite, certo? Que os mamutes foram extintos. E na época que eles existiam, nem a câmera obscura havia sido criada, então, boa sorte na sua procura!
revolta da múmia - Era uma múmia adolescente.
porque você tiraria programa domingo faustão - "Um dos maiores cantores do Brasil! Maaaais de 10 milhões de discos vendidos! 20 anos de carreira! Leandro, aqui no Domingão!" Por isso.
diminutivo sem usar ninho - Eu tenho certeza de que esse foi o cara que perguntou sobre diminutivo de palhaço no post anterior. O cara realmente tem problema com diminutivos.
miss feiura - Ó, Monique, é contigo.
o que aconteceu com suzana vieria - Ela anda fazendo um tratamento com formol.
sou uma fracassada - Google na versão analista!
perguntar para ver o que vou ser no futuro - Google na versão adivinho!
frases magníficas para msn muitas - Ele tinha colocado só "frases magníficas para msn", daí brilhantemente pensou "e se o Google achar poucas frases magníficas? É melhor eu garantir, vou botar 'muitas' no fim". E fez-se Luz.
aonde encontramos o esfíncter - O esfíncter é uma região do rosto mais conhecida como "maçã do rosto". Então diga a sua mãe que o esfíncter dela é macio e sedoso. Ela vai adorar.
que jornal que nada a apresentadora quer mesmo levar rola no cuzinho - Deixa William Bonner saber disso...
gaúcho comprando lubrificante farmácia - Depois perguntam porque gaúcho tem a fama...
o.b. tira a virgindade - Tira, e você ainda vai pro inferno!
super homens gays - "Para o meio e avante!"
papéis parede alienígenas - Um ET decorador.

Enfim enfim enfim! Esse povo cansa minha criatividade, hora de parar. Mas não antes de deixar algumas outras incríveis palavras-chave pra vocês:

contrário de surrar
macaco que paga mico
macaco bunda vermelha
reproduzir barulho peido
frases que diz fiz minha parte
criança morreu vontade médico lombriga
perna pau onde comprar relacionado circo
crianças que perdem controle no esfíncter
vocalista fala mansa com tumor maligno cérebro
você nunca gostou de gorda mas casou com uma fofinha
história das fotos amaldiçoadas das crianças que choram
se você ficar triste eu compro um nariz de palhaço
jogos de bebezinho de verdade que chora que ri e que fala

É, dói.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 2:00:22 PM

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Quarta-feira, Março 14, 2007


[11/03/2007 - domingo]

Por algum motivo desconhecido, acordei às 7h da manhã deste domingo e fui estudar no computador (veja quantos absurdos numa mesma frase), pesquisar sobre o tema da minha monografia, que ainda se encontra na fase zigótica. O tema é sobre uma revolução popular que se deu na Paraíba no século XIX, então, para me introduzir ao assunto, fui pesquisar sobre a História da Paraíba e acabei encontrando um site relacionado.

Como eu estava achando o texto (muito) mal escrito, fui ao final da página procurar pela toupeira que havia a escrito. O culpado: *Leonardo Lima, psicopata e aluno metido que acaba de tornar meu domingo mais agradável.

Acessei a página pessoal deste cidadão e lá encontrei assuntos relacionados à sua vida pessoal e acadêmica. Vi as fotos dele (menino criado pela avó materna) e li sua magnífica apresentação com curiosidade mórbida até ver isso:

Clicando em Meu Amor, você terá a oportunidade de conhecer a minha maior fonte de motivação nesta vida; minha princesa, meu anjinho, a mulher que me faz querer ser uma pessoa melhor. Lá também há fotos dela e algumas das poesias que lhe escrevi.

Meu coração bateu forte: poesias! Calmamente, tentando saborear o desastre que eu estava prevendo nesse link, cliquei em "meu amor" e pude ler sobre uma belíssima história de amor, daquelas que faria Shakespeare se envergonhar de Romeu e Julieta. Era o romance entre Leonardo e... e... Katyúcia.

Em Agosto de 1997 conheci, num curso de inglês, uma bela, atenciosa e meiga jovem chamada *Katyúcia Arantes. (...) Após muitas declarações de amor, consegui conquistar o coração desta jovem que considero a mulher da minha vida. Estava iniciado o nosso namoro, dando nascimento a um relacionamento que, tenho certeza, será perpétuo. (Mas ela não sabe disso ainda).

Mas vamos ver as poesias; o cara faz Direito, Ciências da Computação e desenvolveu um trabalho na área de História, alguma coisa boa deve ter. E tinha!


Versos Iniciais

Nunca tente esconder sua emoção
Não entendo por que dizer não
A algo que nos preenche o coração
Negar a nossa essência é lutar em vão

Foi diante deste pensamento
Que decidi estes versos escrever
Não mais queria perder um só momento
Para abrir todo o meu ser



Diante dessa confissão de menino travesso e fenfível, duvidei das intenções do menino Leandro com a jovem e meiga Katyúcia.


Conversando com Deus

(...)

Pois o sorriso é a manifestação dos lábios
Quando aos olhos é mostrado
O que o coração tem procurado
Por anos vários



Esse fenômeno da literatura certamente não sabe o que é "métrica", mas relevemos, ele está apaixonado e a paixão deixa as pessoas assim, imbe... imprudentes. E poderosas, claro, o cara conversa com Deus!


Uma noite no Rosário

Pouco antes do início da celebração
Pus a mão no peito, devido a forte emoção
Pela porta enveredavam Luiz e Lúcia
Trazendo consigo sua filhinha de pelúcia


(Está explícito aqui que Leandro queria ver a pelúcia de seu Luiz)

(...)

Enquanto o sermão do padre era exposto
Vi Katyúcia fazendo do paterno ombro um encosto
Olhando para seu pai me pus a imaginar
O prazer que sentiria estando no seu lugar


Na verdade ele errou aqui, ele queria dizer:

Olhando para seu pai me pus a imaginar
O prazer que sentiria estando no seu colo



Mas longe de mim estar insinuando alguma coisa. A sensibilidade e meiguice de Leonardo manifesta-se de maneira belíssima na última poesia.


Versos Finais

Um coração que estava adormecido
Pensando não existir motivo para se abrir
Até que um olhar o deixou envolvido
E algo mais o fez sentir


(Ok, ele sentiu o algo mais...)

Por fim, um sorriso o despertou
De sua natureza não pôde se esquivar
Nos horizontes do sentimento ele se lançou
Sem temer quem lhe pudesse censurar


(Sem temer a censura, contra tudo e todos, ele se entrega à sua... er, natureza)

E não o chamem de fingidor
Isto é questionar o seu amor
Algo que por longo tempo ele guardou
E que só agora se revelou


(Preciso dizer mais alguma coisa?)


É nessas horas que dou graças aos deuses por Fábio não me colocar apelidos "carinhosos". E não ter sido criado pela avó.

*Eu temo ser processada


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 11:31:03 AM

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Sexta-feira, Março 09, 2007

No post do dia 08 de fevereiro/2007 eu disse que havia perdido a bolsa e deixaria de trabalhar com Maria. Eu ia deixar de trabalhar, claro, Maria não trabalha. Mas houve uma seleção para recrutamento de novos bolsistas e, adivinhem só, eu passei! E trabalharei com Maria até dezembro. Não é legal? É, eu sei que não.

Na verdade, eu não iria continuar no estágio, mas Carla mexeu os pauzinhos dela tão rapidamente quanto troca os olhos e conseguiu me recolocar nele. Pro meu infortúnio. Descobri que não gosto de lá. Descobri também que, depois de seis meses trabalhando lá, Laura ainda não sabe meu nome.

- Ô, Rafaela! Quer dizer... Miquelina! Meu Deus, como é mesmo...
- Err... Luciola?
- Ah, sim! Olha, Luciola, blá blá blá...

Agora eu pergunto: LUCIOLA é algum nome complicado? Ela me chamou de Miquelina! Pelo amor de deus! Eu nunca conheci alguma Miquelina, isso nem é nome de gente!

Mas enfim... Nesse dia Maria entrou na "minha" sala e me deu os parabéns pela bolsa, e, como eu estava animada, até conversei com ela. Ela perguntou se eu já havia feito a carteira de estudante, eu disse que não. Aí ela:

- Mas pra quê tu vai fazer, menina? Num vão fazer esses cartões nos ônibus (bilhetagem eletrônica)? Tu num vai precisar mais de carteira!
- Não, Maria, mas ainda é útil pro cinema.
- Cinema? Menina! Eu nem gosto de cinema, ninguém mais vai no cinema, não.
- Ah, não?
- Nada! Depois que inventaram o DVD ninguém mais vai no cinema.

Ok. Eu acho que Maria entrou em coma na fase do VHS. E no dia em que o cinema desaparecer, eu mudo meu nome pra Miquelina (e facilito a vida de Laura). Ah, e alguém aqui ficou surpreso quando ela disse que não ia ao cinema? Ela adora (me) surpreender!

Teve um dia em que eu vi Maria passar por mim com uma vassoura na mão. Como eu vi apenas de relance, não acreditei. Foi como ter visto um mamute rosa andando de triciclo na minha frente. Ignorei o delírio, baixei a cabeça e continuei o trabalho. Então Maria entrou pela porta com a vassoura. Silêncio. Foram momentos de tensão. Meu deus, o que ela vai fazer isso? Será que ela sabe pra que serve? Ela pode se machucar. Foi aí que algo extraordinário aconteceu: Maria pegou a vassoura e, com os pêlos pra baixo (os pêlos da vassoura), segurando-a pelo cabo, varreu um metro de chão. A ação só durou dois segundos e meio, mas foi o suficiente para que meus olhos marejassem de emoção e fé na humanidade: Maria conhecia uma vassoura, sabia manejá-la e conhecia sua serventia (a serventia da vassoura).

Cheguei em casa eufórica e contei o que houve a minha mãe. "Minha filha, acho que você trabalhou demais, descanse um pouco". Bom, eu sei o que eu vi. Mas tenho certeza de que aquilo foi apenas um espasmo que ela teve com a vassoura na mão, porque Maria não sabe qual é a função dela. Um dia eu perguntei:

- Maria, como foi que tu entrasse aqui? Foi através de concurso?
- Nada, menina! Eu devo esse emprego a minha mãe! No governo de Fulano de Tal tinha um negócio que o filho ficava com o cargo do pai ou da mãe quando ele deixasse a função. Aí minha mãe morreu e eu fiquei no cargo.

Eu busquei no meu útero forças pra não MORRER de rir ali, na frente dela. "Devo esse emprego a minha mãe. Se ela não tivesse morrido eu não estaria aqui. Obrigada, mãe, por morrer". Minha nossa. E o absurdo continua...

- Mas aí veio Collor e acabou com isso! O cara é um safado mesmo! Agora a pessoa não pode mais pegar o emprego do pai.

É, Maria, acho que foi a Revolução Industrial que acabou com isso, mas tudo bem. Esse Collor não tem um pingo de bom senso mesmo!

Mas agora vou parar por aqui, porque sinto que, até dezembro, eu vou ter muito o que desabafar com vocês. (Suspiro cansado).


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 11:04:52 AM

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Quinta-feira, Março 01, 2007

Ontem tive pesadelos durante toda a noite. Senti um mal estar ao acordar e algo me dizia para não sair da cama. Algo de terrível estava prestes a acontecer, eu sentia. Saio de casa pra tentar pegar o ônibus na parada da pracinha (a mesma praça em que fui abordada pela fofoqueira terrorista). Agora eu sei, tenho certeza: aquela praça é amaldiçoada.

Chego na pracinha, olho em volta e procuro ficar o mais distante possível da única pessoa que estava por perto (um senhor). Mas do nada surge uma mulher que deve ter brotado de alguma fenda do inferno e me dá um singelo e assustador "bom dia". Eu fiquei tão assustada com aquela aparição que, ao invés de responder o bom dia, eu pedi obrigada. Sim, eu fiz isso. Não, eu não sei conviver socialmente. Olhe, na minha opinião os homens só deviam ter andado unidos pra caçar mamutes, depois que os mamutes morreram, pronto, eu não vi mais sentido nessa coisa de andar junto.

Mas, continuando...

"Bom dia, querida..." E ela mal esperou eu dar bom dia de volta, aliás, obrigada, e já foi me mostrando uma revistinha de ordem cristã que tinha algumas questões na capa do tipo "Você acha que Deus se importa com o mundo?", "Será Deus se importa com o mundo?" ou ainda "Você acha que o mundo se importa com a opinião de Deus?" Ela chegou do meu lado, começou a folhear essa revista, apontar e fazer essas perguntas com uma calma tão espetacular e numa voz tão doce, tão doce!, que eu tive que me esforçar pra não sucumbir numa paixão. Ela era alta, loira, olhos azuis, sorriso Colgate e com certeza estava em algum curso pra se tornar anjo.

Eu respirei fundo até as paredes dos meus pulmões encostarem uma na outra e escutei o que ela tinha pra falar. Começou a dizer naquela vozinha de quem estava drogada que o mundo tinha muita guerra. Ela mostrou a foto de uma guerra. Que o mundo tinha muita fome. Ela mostrou a foto de uma criança com fome. Que o mundo tinha muita poluição. Ela mostr... zzZZzz... Certo, e a senhora que eu faça o quê, pelo amor de deus? "Você acha que Deus se importa com isso?" Olha, minha filha, só perguntando.

Mas é sério, eu realmente não sabia o que responder! Ela era de Deus, se eu dissesse que Deus não se importava ela ia ficar com raiva de mim, se eu dissesse que Ele se importava, não ia fazer sentido depois das figuras! Então eu, com bastante sapiência e algumas noções de teatro, botei a mão no queixo, fiz cara de pensativa e olhei pro infinito. Continuei naquela posição mesmo depois que ela recomeçou a falar. Daí eu entrei em transe e só voltei quando ela disse "você vai nesse ônibus?" Eu nem sabia qual ônibus era, mas disse que ia e saí correndo. No desespero quase que eu subo num caminhão de lixo, tudo pra sair de perto dela.

Até agora eu não sei o que ela queria me apresentar. Ela falou tão mal do mundo que eu achei realmente que ela quisesse me colocar contra Deus, o Criador. Mas eu não tenho nada contra ele. Só contra os filhos. E as praças dos filhos.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 7:30:08 PM

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Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Há seis meses eu instalei no meu querido blog um rastreador e contador de visitas mais detalhista. Desde então, eu sei quem entrou aqui, como o fez, quando e o porquê. O troço é tão completo que até a resolução da tela do curioso é mostrada aqui. Pois é, agora tenho mais poderes que Jesus Cristo.

A forma mais comum de se chegar até aqui é através de certas palavras-chave no Google. E essas palavras-chave, como vocês podem imaginar, são quase sempre relacionadas a putaria. Como eu postei há alguns meses o tal do Horóscopo das Putas com todas aquelas palavras muito, muito feias, a coisa foi potencializada.

Já procuraram Priscila Fantin sem calcinha, Elba Ramalho sem calcinha e, pasmem, Suzana Vieira sem calcinha. O cara que achou as fotos de Suzana Vieira deve estar em estado de choque até agora. Outro fato interessante de ser observado é a fantasia dessas criaturas de uma mão só. Tem o tipo violento: fiomes cavalos estupradores. Ele só não achou esse filme porque escreveu "filme" errado. Ou porque ninguém teve a brilhante idéia de fazer um filme sobre cavalos que cavalgam por aí de pau duro com a intenção de estuprar. Tem o tipo exagerado: enrabar ônibus. Esse daí se garante, viu. Que mulher que nada, eu quero logo um 2300! E quanto às particularidades físicas? Grisalhos sem roupas. Cruz credo! Já basta Suzana Vieira. E putinha mirim? Lamentável.

E por falar em mirim, a fantasia que eu mais gostei foi monique gosta levar cuzinho marido dela está preso. E aí, Monique? É verdade? Cara, eu sempre desconfiei pelo andar solto dela.

Ainda tem aquelas criaturas que, definitivamente, não sabem usar um site de busca:

mulheres putas com hotmail disponivel para conversar. O que eles esperam encontrar? Sério. "Oi, tudo bom? Eu sou uma mulher puta com hotmail disponível para conversar"?

como ser uma puta esposa. Alguém cansado do papai-mamãe anual.

o que fazer antes de dar cuzinho. Vou dizer, minha filha: reze! Isso, entregue na mão de Deus. E boa sorte!

cuidados comer uma puta. Talvez a resposta seja "camisinha".

como mulheres enganam querendo passar por virgem. HAHAHAHA Sem comentários.


Mas, saindo da zona punheterística e indo pra zona dos somente sem noção, temos ainda algumas pérolas magníficas:

como deixar ser indecisa. "Não, não, melhor botar 'como não ser indecisa'. Ou será que eu boto 'quero não ser indecisa'?" Aposto que ela tá tentando a melhor frase até hoje.

Por falar em até hoje... piadas que fazem a gente rir sem parar. Eu tive notícia que esse cara tá na fila do transplante de pulmões depois de ter achado as piadas.

como curar lombrigas. Faça o seguinte, leve a lombriga até o posto de saúde mais próximo da sua casa. Não medique a sua lombriga antes de falar com um profissional.

diminutivo de palhaço. Conheci professores de Português que tiraram a vida por causa de casos como esse.

daniel saulo pousando. A menos que Daniel Saulo seja um avião, ela achou essa foto.

comprar calcinha suja. Eu não sabia se botava essa na parte dos punheteiros ou não. Porque ou isso foi uma senhora que queria adiantar o trabalho e comprar logo uma calcinha suja, ou foi um pobre coitado que nunca sentiu o bom cheiro do prado silvestre.

qual ônibus que passa na praia do futuro. Obviamente esta criança não sabe o que significa palavra-chave. Praticamente bateu um papo com o Google.

vou evoluir. Isso foi um pokemon.

fiquei sem televisão que sorte. Obrigada por compartilhar isso conosco.

mandar mensagens para meus amigos para que lembrem dia meu aniversário Ou, "lembrar de lembrar os meus amigos de lembrarem de mim".


Ainda tem uma porrada de outras frases, mas eu não tive criatividade para comentá-las:

sagitariano rico
bonecas quase humanas
como começar na vaquejada
futuro novo mulher bionica
circo legal circo sem animal
frases para bom final semana
loja sombrinha para dancar frevo
figurino das dancarinas faustao 2005
quero escutar musicas reggae sem pagar nada
quero engrossar minhas pernas casa mesmo como faco



Pronto, essas foram apenas algumas que consegui nesses seis meses. Vou colocar eventualmente mais frases no decorrer do blog pra vocês.

Ah, e uma notícia ruim. Quem viu os peitos de Maria (eu), viu, quem não viu, não vê mais. Ontem Carla disse que minha bolsa não ia ser renovada, então eu acho que vou sair do estágio. Será que ela leu meu blog? Mesmo assim, acho que ela não ia se importar em me ver chamá-la de vesga ou boneca inflável. Acho que ela gosta de mim.

Então, dedico esse post a Maria, a heroína de tantos posts deste blog. Sentiremos saudade! E eu sentirei saudade do meu dinheiro!


Mais do mesmo em: http://seinaomaga.blogspot.com


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 4:42:26 PM

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Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

Depois de dois meses de férias, eis que minha vida acadêmica retorna nesta semana. Junto com ela, minha vida de escrava no estágio. Eu até que tava com saudade dele, sabiam? Entrei lá, coloquei a bata, a máscara e o jugo e fui trabalhar. Meu local de trabalho é um lugar sombrio, com muitas salas e poucos funcionários. Maria diz que ele precisa de uma reforminha porque "com esse piso velho eu num tenho nem vontade de vir trabalhar". Ela diz que não se sente estimulada, sabe. Agora tá explicado porque funcionários públicos de instituições antigas não trabalham: o problema é o piso. E não é o salarial.

Eu vou confessar que estava com saudade de Maria. Mas só até ela entrar pela porta de vidro do prédio e eu lembrar do que ela me faz passar. Por exemplo. Na última semana antes das férias, Maria entrou na sala que eu estava e disse que o sutiã dela a estava machucando e queria que eu desse conta do problema. Mas ela disse isso tão alto que acho que o reitor, lá do outro lado da universidade imaginou que fosse com ele o pedido de ajuda. Já fiquei vermelha daí, porque o secretário do estágio estava no recinto ao lado.

Como eu não estava conseguindo ajudá-la, a doida resolveu o caso de maneira bastante sutil: baixou a blusa, tirou o sutiã e ficou com os peitos de fora. Quase que eu caio pra trás de susto. O detalhe é que os peitos de Maria devem pesar 70kg cada, e, quando ela tirou o sutiã, veio aquela avalanche de peito na minha direção. Eu corri o máximo que pude e me joguei debaixo da mesa procurando abrigo. Na verdade, quando eu vi aquilo eu fiquei feito uma barata tonta dentro da sala sem saber o que fazer. Não sabia se jogava uma toalha, se fechava a porta, se gritava, se saia correndo. Aí eu fui fechar a porta. Só que a porta é de vidro. Iêi. E Maria lá, naquela calma, como se estivesse no banheiro da própria casa.

Vamos ao nosso velho esqueminha no paint:



O secretário está em vermelho no computador, eu, perdendo a cor em cinza, e as duas bolas pretas representam os mamilos de Maria.

Nam, saí do estágio nesse dia em estado de choque. E, desde então, rezo todo santo dia agradecendo a Deus, Nosso Senhor, pelo incômodo de Maria ter sido no sutiã, não na calcinha.


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Hora: 8:48:03 PM

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Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Há vários tipos de fofoqueiras, cada uma com uma especialidade diferente: destruir matrimônios, promover discórdias, passar tempo, ou, na melhor das hipóteses, manter os cidadãos informados. Mas há ainda um outro tipo de fofoqueira: a fofoqueira terrorista, aquela especializada em tirar o sono das mocinhas de bem - como eu - com assuntos violentos do cotidiano.

Eu já odeio travar qualquer tipo de conversa com seres humanos que eu não conheço, e, quando o assunto é violência, estupro, assalto, eu odeio mais ainda. (Sim, no meu coração sempre há espaço pra mais ódio). Aí chegam as desocupadas especializadas em terror. Desconfio que essas mulheres bem informadas ou trabalham pro FBI ou mantêm debaixo da cama uma escuta da polícia. "Menina, você ficou sabendo do estupro que teve ontem aqui?" A mulher estuprada mal teve tempo de se lavar e a fofoqueira já está por aí espalhando local e hora do abate. Às vezes elas são tão rápidas que fofocam em tempo real. "Olha aquela menina sendo estuprada". No futuro elas preverão crimes! Tipo Minority Report. "Menina, você ficou sabendo da mulher que vai ser estuprada aqui?"

Certo, mas deixemos de gaiatice. O que acontece é que estou cansada de tanta gente me parar nas paradas de ônibus para falar das mulheres que foram estupradas, dos motoqueiros que estão assaltando pessoas e etc. Gente, se você não tem nada de bom pra falar, experimente uma coisa: o silêncio.

Ontem mesmo eu estava na parada de uma praça e uma mulher - que pela feiúra devia ser parente de algum gremlin - me perguntou que horas eram. Quando ela apareceu e eu vi a cara dela, achei que ela estava só querendo me desmotivar a viver. Mas não. Com minha inteligência apurada, pude perceber que a pergunta sobre as horas era apenas uma desculpa para que ela se aproximasse e fizesse o que mais sabe: terrorismo. E já ia começar com o "você sabia que..." quando eu disse "olhe, se a senhora vier falar de violência, EU MATO A SENHORA!" Tá bom, eu não disse isso, eu fiquei escutando qual a merda da vez.

Ela disse que um cara, "um marginal, sabe", perguntou a ela se o ônibus já tinha passado e ficou rondando ela, mas ela despistou o cara (com uma de suas técnicas de 007). Sério, eu fiquei imaginando essa mulher despistando um ladrão. Ou ela andou feito uma aranha entre os arbustos da praça até a casa dela, ou soltou uma bomba de fumaça que ficava presa ao seu cinto espacial e saiu correndo, num sei. Só sei que ela despistou o ladrão. Pronto. Acabou. A história era essa. Um cara perguntou as horas, ela respondeu, se desembestou correndo, sei lá, e pronto. Eu fiquei olhando pra cara dela esperando a continuação. Silêncio. Quase que eu digo "que merda de história, hein!" A mulher não sabe nem assustar uma pessoa, nam. Apesar da cara, claro. É, mas eu não disse nada, a única coisa que fiz durante o processo foi respirar. E aconselho: crianças, quando não tiverem nada a dizer, fiquem caladas. Por falar nisso...


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Hora: 6:31:15 PM

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Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

Acabei de acordar da minha primeira ressaca de 2007. Se Monique estivesse aqui eu certamente tiraria aquelas piadas que ela odeia. "Desde 2006 que eu não durmo", "desde o ano passado que eu não cago", e assim vai... Mas, como ela não está aqui, eu deixo registrado em meu blog essas piadas merdas pra que ela leia sempre que tiver vontade! E, como desde o ano passado eu não escrevo (consegui de novo), aqui temos o primeiro post de 2007.

Como é de praxe, todo ano eu perco a maldita contagem regressiva para a virada. Eu já fiz promessa, eu já pedi a Deus para que me permitisse acompanhar a merda da virada, mas eu não sei o que acontece, eu sempre perco.

- 48, 47, 46, 45...
- Ah, dá tempo...
- 21, 20, 19...
- Tá chegando 2007, vamu lá!
- 7, 6, 5, 4...
- Opa, onde tá a contagem?
- Feliz ano novo! Êeeeê!
- ¬¬

Depois da primeira frustração do ano, fui com Fábio, Kaline e Hindemburgo para um barzinho na praia de Tambaú, bem longe dos selvagens que acompanhariam o show de Zeca Baleiro. A cerveja na bexiga se fez incômoda e eu decidi procurar o banheiro. Pobre menina!

O banheiro tinha merda em todo canto menos, claro, no sanitário. Para eu chegar até ele, o sanitário, eu tive que empregar minhas habilidades de navegação pois tinha uma poça de água (eu quero acreditar que era água, me deixem) enorme no meio do banheiro. Resolvi me pendurar no lustre feito um pirata e atravessar aquilo. Consegui. A água batia no joelho, tinha uns jacarés lá, mas nada que eu não pudesse dar conta, mas ao ver a quantidade de cocôs no chão, eu fraquejei.

Tinha cocô fora do sanitário, no chão, (eu não olhei pro teto), tinha uma calcinha rosa, molhada e suja dentro do lixeiro (ô calcinha bem paga!) e água por toda parte. Não é possível que uma só criatura tenha feito um estrago daqueles! Acho que algum grupo de mulheres empenhadas em cagar os bares da orla havia passado por ali entoando algum tipo de grito de guerra cagal. Mas porquê elas fizeram isso eu não sei. E também não sei como alguém consegue fazer cocô na parte externa do sanitário. É uma criatura a ser estudada. Mas, em nome da ciência, eu procurarei reproduzir este experimento e relatarei aqui quais foram os resultados obtidos durante este perigoso ensaio que envolve química, física e biologia, e, dependendo do alcance do projétil, astronomia.

Kaline, coitadinha, tava de calça, e, toda vez que entrava no banheiro, saia com uma nova colônia de bactérias nas barras da calça. Sofrimento gratuito, poderíamos ter um pênis. Ou pessoas mais civilizadas, o que for mais fácil. Mas desconfio que vou mesmo é apelar pra seleção natural.

Hum...

Feliz 2007 aos de bons hábitos higiênicos!


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 2:54:10 PM

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Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

Ontem eu fiz uma coisa que não fazia desde 1997 (mentes imundas trabalhando a mil): eu corri atrás de um ônibus. Até agora eu estou me perguntando como diabos foi que fiz aquilo de novo, porque a última vez, meus caros... Ah, a última vez!

Eu era uma pobre garota (pobre) de 13 anos e estava voltando do colégio. Já anoitecia e eu ansiava pelo meu lar. Andava com uma amiga em direção a parada de ônibus quando o avistei ao longe. Corri feito uma cabritinha serelepe no prado, mas qual foi minha surpresa ao ver que o ônibus não esperou por mim! Depois dessa decepção eu me entreguei ao álcool e à prostituição.

Mas ontem eu estava confiante que iria conseguir. Mentira, eu estava atrasada. Saí de casa e meu ouvido biônico - ouvido de pobre que já identifica o barulho do motor de um ônibus - percebeu que um estava a caminho. E aliás, vocês sabiam que eu sei a diferença entre um caminhão de lixo, um caminhão "normal" e um ônibus só de ouvir o motor? Reeeé! O nome disso é ouvido absoluto, aprendam.

Eu saí de casa e já andei rapidinho para a parada. Foi quando eu vi o ônibus. Um conflito interno me bateu às 7h da manhã e pensei: a humilhação de perder um ônibus ou o escalpe que Carla me fará caso eu chegue atrasada? Foi quando decidi correr.

(Tema da Maratona de São Silvestre ao fundo).

Eu segurei a bolsa e a saia e comecei a correr. Dessa vez eu parecia uma gazela destrambelhada na relva. As pessoas que passavam pararam para ver se eu iria conseguir. Mas eu fui mais rápida que o vento! E em 0,3s eu já estava dentro do ônibus, ofegante feito... feito uma pessoa que correu muito pra pegar o ônibus!

Eu me senti uma heroína. Eu devia aquilo à Luci de 1997. Depois senti que o cobrador queria comentar algo, e ele, com voz garbosa disse "tá disposta, hein!" e deu uma risadinha cheia de intenção. Eu já tenho sorte com cobrador tarado.

Desfecho: Carla acabou não indo nesse dia, mas Maria me fez companhia a manhã inteira... manhã inteira... manhã inteira... manhã inteira... [eco infinito].


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 10:52:45 PM

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Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Não estava com a menor vontade de postar, mas esse post vem recheado de desabafos. Eu quer... Ave Maria, credo! "Recheado" pareceu chamada do Domingão do Faustão! "O programa de hoje vem recheado de atrações: Leornado, Ivete Sangalo, Suzana Vieira" e etc. Voltando...

Eu queria que um raio tivesse aberto minha cabeça antes do meu infeliz comentário sobre Maria em um post passado. A salvação do mundo eu-sou-melhor-que-você-e-vou-pisar-na-sua-cabeça é Maria. Eu disse isso? EU DISSE ISSO? Gente, Maria é um dos seres humanos mais absurdos que já vi na vida. Ela tá me deixando louca.

Tudo começou numa bela manhã quando cheguei ao trabalho e nenhuma das minhas chefas estava presente. Achei que fosse trabalhar no meu cantinho, em paz. De repente a porta da minha sala se abre e aquela criatura de sobrancelhas finas e perfume doce entra por ela, liga o rádio, coloca um forró do Calcinha Preta, Rasgada, Suja, tanto faz, canta e ainda acha que está me fazendo um favor! "A gente pode fazer o que quiser já que só tem a gente aqui". E eu ajustando minhas sobrancelhas para o nível "exterminar funcionários públicos".

Nessa manhã, Maria abriu minhas mãos e colocou entre elas quatro canetas e apertou bem, mãos e canetas, de uma maneira bastante enfática. Parecia mais que havia me colocado em mãos a coisa mais preciosa do mundo. E tanto cuidado tem uma explicação: as canetas eram do estágio e ela queria que eu as levasse para casa. Claro que não levei, mas também não as devolvi para não ofendê-la, porque sei que foi na melhor das intenções e só estou tocando nesse assunto porque hoje ela me deu mais algumas. Se alguém me pegar, certamente vai achar que estou contrabandeando.

Apesar de tudo (eu nem contei 1/100 das coisas) eu gosto de "estudá-la". Maria é um ser interessante com perguntas intrigantes. Como ela não tem PORRA NENHUMA pra fazer, ela fica me observando, olha pra debaixo da mesa pra ver como estou vestida e calçada, essas coisas, e de repente pergunta, "tu usa maiô ou biquini?", eu respondo. Ela fica pensativa e completa: "tu usa fio-dental?" Bom, questões como essas são tão importantes para o rumo da humanidade que vou me furtar de respondê-las aqui.

E quando ela descobriu que durmo na casa de Fábio fim de semana? "Qué dizê que tu sôi mulhé de Fábio?" Com certa satisfação, respondi que sim, mas não pude ignorar a ignorância de uma mulher que acha que se se pertence a outro pela cessão de um, perdoem a expressão chula, cabaço.

Nessa mesma semana, Maria, displicentemente, pôs as mãos dentro do nariz e de lá puxou com força uma massa consistente, resultado de um dia de intensa poluição. Depois ela repousou a tal massa debaixo da minha mesa. Assisti àquela cena em câmera lenta e com uma admiração incrível pela simplicidade com a qual ela lidou com o fato. Simples! Dedo no nariz - meleca - mesa.

Maria nunca acerta meu nome. Ela leva 20min pra começar uma conversa comigo porque meu nome exótico não facilita o processo. "Fabrícia, tu vai... ow! Fabíola, tu... Ow! Quer dizer, Sebastiana! Ow!" Marcelina, Jandira, Lucrécia... "Luciola, Maria, Luciola!" E por aí vai...

(Tinha tanta coisa pra falar, mas meu péssimo humor não colabora).

Voltaremos em breve com As aventuras de Maria pelo Juízo de Fabíola.


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Hora: 9:43:37 PM

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Domingo, Outubro 01, 2006

Vamos ver se eu consigo fazer um post sério uma vez na vida. Não porque hoje seja dia de eleição e esse assunto mereça seriedade. Não. Pelo contrário, vou falar de palhaços hoje. Hoje eu vi dois palhaços na minha ZONA eleitoral. Uma senhora de 50 e muitos anos com uma peruca histérica rosa, o nariz pintado de vermelho e uma blusa que dizia EU NÃO RECEBI MENSALÃO. E uma segunda mulher, que era a cara da Catherine O'Hara, que tava de nariz de palhaço também. Deu pena.

Eleição é um ritual engraçado. De dois em dois anos a gente tira um dia para eleger determinadas pessoas que, teoricamente, compartilham dos nossos interesses e nos representam em maior ou menor grau dentro do cenário político-administrativo do nosso país. É aí que a gente vê na TV o candidato a presidente rodeado de arquitetos supervisionando uma grande obra pública com aquela cara de visionário imponente sob a luz do sol. Bravo! Viva! Meu voto é seu! Quando na verdade o que eu consigo enxergar são políticos que hoje, logo mais à noite, estarão reunidos e brindarão à vitória. E rirão. Rirão de mim, meu caro, leitor, de mim.

Hoje eu não votei nulo. Não não. "Esse aqui já foi preso, não quero. Esse aqui tá sendo investigado, não rola. Então eu vou... Opa, fiquei sem opção". Meu Deus! Meu voto vai sustentar alguém pelos próximos 4 ou 8 anos. Meu voto. A culpa vai ser minha. Sinto um pouquinho de vergonha, vontade de dizer que votei nulo porque em ladrão eu não voto. Mas eu voto em ladrão, sim.

Como disse um amigo numa carta há alguns anos. Sou um palhaço, minha vida é um circo. E o que isso tem a ver?

Ora!


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 12:45:35 PM

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Sábado, Setembro 23, 2006

- 22.setembro.2006 -

Hoje eu sai do arquivo tremendo de fome, mas pra economizar o dinheiro da cachaça eu não almocei. hihihi [A que pontos chegamos?] Mas eu comi! Enchi a barriga de coca-cola e comi algo que tinha frango [e um ossinho assassino].

Depois do almoço deu vontade de fumar. É como Kaline disse, depois de um tempo você passa a relacionar cigarro com tudo. Você bebe, quer fumar; você come, quer fumar; você f., quer fumar; você caga, quer fumar - ainda espero por essa [a propósito: google search esfíncter + nicotina]. Certo, mas... fui até a banquinha e não tinha Hollywood Menthol. Então o vendedor disse com voz de locutor de rádio dos anos 40:

- Você já experimentou o novo Derrrby Menta?

Holofotes foram direcionados a mim e vieram dançarinos de bengala e cartola dançando [não!] atrás dele. Com todo esse apelo fui obrigada a comprar o Derby. Foi terrível! Na primeira tragada me bateu logo a vontade de fazer um rejunte, sem contar que o cigarro tem gosto de cueca. Nam...

Esperei mais meia horinha pela minha primeira aula de Didática, apesar de avançado o período. Era a primeira aula porque até ali não fora escolhido o professor dessa disciplina. Chego na sala, sento, espero. A professora chega, pára, olha pra mim e dá o maior sorriso que eu já vi na vida seguido de um "BOA TARDE! SEJA BEM-VINDA, QUERIDA! COMO VOCÊ ESTÁ?" Tão simpática! Só tava esperando que ela dissesse que me amava pra eu pedir ela em casamento.

Ela começou a aula já no absurdo: "Eu quero que vocês me digam cinco palavras positivas para começarmos bem essa aula". Minha senhora, deixe de invenção, dê aula! "Gente, vamos lá, cinco palavras" Professora? Dê aula. "Coisas que vocês gostam, que precisam". Ai, meu Deus!

"Amor!" - foi uma mulher que disse essa, claro. "Amizade", "Paz". Blergh. Pronto, aí eu me manifestei. "DINHEIRO!" Ela: "Ah, claro, amizade e dinheiro são importantes, às vezes dinheiro é mais importante que amizade" O.o Agora eu acho que só eu ouvi essa... Eu ia dizer "sexo", mas pela cara de múmia dela, ela poderia dizer "é, eu ouvi falar nisso".

Essa professora é uma mistura de tia do maternal com apresentadora de programa infantil de tão doce que é. Disse que a educação tinha "um sentindo amplo... como... COMO O UNIVERSO!" Quase que eu aplaudo. Enfim, o nome dela é Erenilza. Ela é um ser humano vermelho e tem os cabelos tão loiros que eu assisti a aula de óculos escuros. Mas eu gostei, como você viram.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 1:40:40 PM

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Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Post removido por motivo de juízo maior.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 6:21:12 PM

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Domingo, Julho 23, 2006

Bem, não é todo dia que alguém me adiciona no MSN com tendências masoquistas.

Segue diálogo:

Benjamin Girl diz:
oi

Benjamin Girl diz:
te conheço?

Benjamin Girl diz:
eiiiiiiiiiiiiiiii

fat cat diz:
deve conhecer, já que foi você quem me adicionou.

Benjamin Girl diz:
responde

Benjamin Girl diz:
ker apanhar é? eheh responde logo....ops

Benjamin Girl diz:
ih seu humor naum tá bom hoje eh?

fat cat diz:
é, geralmente eu fico assim com pessoas de letrinha rosa

Benjamin Girl diz:
cum vontade de dar um soco?

fat cat diz:
não, meu bem...

fat cat diz:
eu tô até gostando de você

fat cat diz:
ainda nem excluí

Benjamin Girl diz:
;]

Benjamin Girl diz:
nem exclui, temos muito o que conversar

Benjamin Girl diz:
eu te conheço pessoalmente na verdade

fat cat diz:
hahahahaha

fat cat diz:
eu sabiiiaaaaa-a

Benjamin Girl diz:
vc foi indicada por alguém pra fazer algo, mas to mei o com vergonha de te propor heheh

fat cat diz:
não pessoalmente, eu acho...

fat cat diz:
meu deus

Benjamin Girl diz:
de vista sim

Benjamin Girl diz:
mas nem se preocupa, sei nada sobre vc

fat cat diz:
não estou preocupada quanto a isso, não tenho nada a esconder

Benjamin Girl diz:
será? hihi

fat cat diz:
será

Benjamin Girl diz:
gostei do teu jeito, é curta e grossa, enfim posso te fazer a proposta?

fat cat diz:
...

Benjamin Girl diz:
é o seguinte....

Benjamin Girl diz:
eu so meio masoquista sabe? e onde eu vivo, num meio social careta...não encontro gente que possa me bater, surrar, arrebentar mesmo...ai uma pessoa em comum que conhecemos me disse que vc é uma pessoa super-legal e q poderia fazer o serviço, o q acha?

Benjamin Girl diz:
posso pagar

fat cat diz:
*morrendo de rir

fat cat diz:
aaaiiii aiiii

fat cat diz:
meus amigos vão adorar ouvir essa

fat cat diz:
acho até que vou publicar no blog essa bonita proposta

Benjamin Girl diz:
kkkkkkkkkk

Benjamin Girl diz:
mas é sério

Benjamin Girl diz:
pode parecer absurda

fat cat diz:
olha, estou sinceramente lisonjeada com a proposta, mas acho que vou ter que recusá-la.

Benjamin Girl diz:
aliás é

Benjamin Girl diz:
ninguém precisa ficar sabendo ué

fat cat diz:
mas não se preocupa, deve ter alguém por aí que aceite o serviço...

fat cat diz:
gracinha

Benjamin Girl diz:
assim....

Benjamin Girl diz:
eu posso te oferecer muito dinheiro (não estou te zuando)

fat cat diz:
hahahaha

fat cat diz:
olha, pra falar bem a verdade eu acho que você tá tirando uma da minha cara. mas estou de bom humor hoje, ao contrário do que possa parecer. mas eu realmente não estou interessada em surrar desconhecidos, nem sei de onde você tirou essa idéia [um amigo em comum? sei], mas vou relevar...

fat cat diz:
eu conheço mais meio mundo de gente que adora apanhar e bater, mas não seria muito ético repassar e-mails alheios pra propostas desse tipo. talvez você possa procurar um profissional para isso, e, caso você não me conheça e só esteja querendo tirar uma, um psicólogo.

Benjamin Girl diz:
nossa, que lição de moral ehehe nem estressa menina...assim....

Benjamin Girl diz:
muitas pessoas, comovc mesmo disse , fazem isso espontaneamente..não acho q seja um distúrbio, é sei lá, uma inclinação masoquista mesmo somente isso

fat cat diz:
eu também não acho que seja um distúrbio... nem disse coisa parecida

Benjamin Girl diz:
e vc nem ia me machucr mto, só um pouquinho

Benjamin Girl diz:
ok

Benjamin Girl diz:
mas posso te faze uma pergunta?

Benjamin Girl diz:
ao contrário d q vc tá pensandu , não to te zuando não

fat cat diz:
ok, depois de eu respondê-la eu te deleto, porque já ri o que tinha que rir e preciso tomar banho pra sair...

fat cat diz:
mas pergunte...

Benjamin Girl diz:
o q vc prefere: bater ou apanhar?

fat cat diz:
eu gosto das coisas espontâneas

fat cat diz:
somente.

fat cat diz:
beijos e boa sorte na sua procura.

.

Pelo menos eu sei que sou uma pessoa super legal e de vasta fama. Mamãe iria adorar saber dessa história. Acho que iria ficar muito orgulhosa. "Olha, mãe, fui indicada por um amigo para aplacar os desejos masoquistas de um desconhecido, iupiii!" Imagina aí eu lasciva numa roupinha de vinil tirando sangue alheio com um chicotinho.

Sinto muito, querida, mas eu só bato em Monique. Sem paciência para fazer graça. Aqui eu só tenho tristeza e saudade. E nenhuma surra em vista.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 10:07:40 PM

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Sábado, Junho 03, 2006

Hoje Fábio e eu completamos três anos de namoro - agora é namoro! Como me aturar por três anos não é pra qualquer um, aqui vai um post dedicado ao amado. E aqui conto a história de como o conheci.

Eu andava pelas ruas pessoenses e, ao dobrar numa esquina, a pressa me fez esbarrar num garoto que vinha distraidamente na direção oposta, fazendo com que meus livros todos caissem no chão. Enquanto apanhávamos os livros ele pedia desculpas e eu nervosa apenas gagueja. Foi quando nossas mãos se tocaram e... E... não foi assim não. =/

Eu tentei.

Depois de algumas tentativas frustradas, finalmente o Palhaço Pipoquinha conseguiu se matar. [?!] Palhaço quem? Palhaço Pipoquinha! Um palhaço, fracassado como todo palhaço, que mantinha um programa na TV local. O programa era decorado em verde-limão e rosa-choque. Um luxo. O figurino das Pipoquetes combinava com o cenário. Sim, vocês leram PIPOQUETES mesmo. Elas faziam uma dancinha super elaborada [dois pra cá, dois pra lá], que, penso eu, deveria ser sincronizada, com suas luvas brancas e gingavam o corpo para balançar os trapinhos pendurados em suas roupas. Até hoje fico pensando por quê o Palhaço se matou.

Muitas piadas surgiram do caso. "O Palhaço Pipoquinha se matou: pulou da panela". E também... Er... Bom, só tinha essa piada mesmo. Nesse dia eu entrei no Irc como Pipoquete_Desempregada. Muitas pessoas abriram pvt rindo, mas uma em particular me chamou atenção. Aquela que acreditou em mim! Quem? Quem? Quem? Um tal de Fábio Viana.

Não foi difícil convencê-lo do meu desemprego. Ele queria que eu me descrevesse para talvez puxar pela memória [que ele nunca teve] uma figura dançante cheia de trapinhos flutuantes. Do outro lado eu ria que tinha dor de barriga. Depois desse primeiro pvt as coisas andaram com velocidade máxima.

Nos pvts ele contava as crises e eu falava de sexo. E em... uma semana? a gente se viu. Eu tinha acabado de completar 18 anos e esse foi o meu presente. hihi Temendo o silêncio constrangedor eu não parava a boca e falei de como foi o meu encontro de internet 5 dias antes, no dia do meu aniversário, onde levei o cara para uma consulta no ginecologista. ¬¬

Ele me deu um beijo praticamente na porta do banheiro. Eu olhei as horas e guardo até hoje o momento exato do beijo. E desde desse dia eu registro, guardo e anoto tudo. E, antes que desande de vez para a parte brega [porque aina não estava], é melhor parar... parar de perder tempo e migrar pra tua casinha. =*


Valeu, Pipoquinha!

.

[Eu te amo, Fabinho]


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 5:31:21 AM

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Domingo, Maio 28, 2006

Hoje minha homenagem vai para uma pessoa que eu gosto muito e que esteve sempre comigo: eu.

Porque hoje é o meu aniversário! Tchan dam!

Meu aniversário está sendo legal. Ganhei o que pedi a Monique hehehe e nas primeiras horas do dia eu estive na Lúcio Lins [casa da maconha, quer dizer, da cultura] com meus melhores amigos [se bem que faltou Deise, Berttoni e Kaline] - show de Azeite, Lado 2 e Mundo Livre.

Na hora em que tava tocando Lado 2 uma maluca [parecia] subiu ao palco e começou a... o que era aquilo mesmo que ela estava fazendo? Ah, dançando! Ela subiu ao palco e depois parou. Girou e parou. Depois arreganhou as pernas em cima da mesa e ficou parada de novo... Depois ela ficou de quatro em cima da mesa. virou a bunda pro público e fez a cabeça dos garotos. Em seguida ela desceu da mesa e... começou a pular. Isso, pular. Pulou e pulou e pulou... e pulou mais. Pulou tanto que eu fiquei cansada. Depois ela desceu do palco e eu comecei a falar mal dela. Claro que eu não sabia que ela estava bem atrás de mim.

Não pude agüentar, virei pra ela e perguntei se ela era vinculada a banda, se ela sempre fazia aquilo [o que a cerveja não faz com o ser humano]. Ela disse que sim e perguntou o porquê. "Porque tem que ter muita coragem pra fazer aquilo, viu". No final do show ela foi me perguntar porque eu tinha dito que era preciso coragem praquilo. Ai, meu deus. "Bom, porque as pessoas não estão acostumadas a esse tipo de coisa, sabe, blá blá blá" e ela falou de dança contemporânea. claro! sempre ela! ODEIO dança contemporânea.

Olha, mãe! Eu me jogo no chão e caio feito um saco de merda, me viro, levanto e dou um pulo idiota e descoordenado e depois alguém pisa em mim. Isso é dança. é verdade! Ai ai... ninguém vai acreditar nisso.

Bom, de qualquer forma, para incentivar a "arte" dela eu disse que... na verdade eu não disse nada incentivador. Só dei uns tapinhas no ombro dela e disse que ela tinha preparo físico. [...]

A tarde é para estudar... mas ainda aceito beijos e abraços. Pelo resto do ano...


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 3:16:01 PM

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Sábado, Maio 20, 2006

Sabe gente desesperada por dinheiro? Sabe? Pronto, eu. Passei tanto tempo sem crédito no meu celular que o nome "Oi" desapareceu da tela dele. "Mainha, a Oi desistiu de mim". Então fui ligar pro patrão [meu pai, não se enganem] pra ele liberar inocentes 10 reais. Passei meia hora sendo entrevistada.

"Você quer dinheiro, é? Mas não sabe me dar bom dia de manhã! Você vai pra universidade hoje? Depois vai dormir fora de casa, é? Por que você não dorme um final de semana em casa, hein, Luciola? É só aprender a dirigir! Não! Eu não vou dar o carro! Você vai aprender a dirigir só por aprender mesmo! Eu que vou buscar e deixar você nos cantos agora".

¬¬

Bom, no meio da ligação eu desisti dos créditos, do celular, da minha vida... "Painho, tá bom! Não quero mais dinheiro não! Aaah!" Até parece! Eu com 20 anos na bunda [sem piadas, por favor] e painho querendo me buscar nos cantos! GAAH!

"Painho, ic! eu tô aqui... no ic! Bebe Blues... vem me ic! buscar... ic ic ic!"

Ah, mas falta explicar o "mas não sabe me dar bom dia de manhã!" Bom, é muito simples. Painho sofre de uma coisa chamada de... carência afetiva. Pobrezinho. Então, meu caro, experimente passar por ele de manhã sem destinar-lhe o maior e mais caloroso bom dia! Mas não é só isso! O kit "obrigação em forma de educação" vem com um pedido de benção. Porque, vocês sabem, se eu quiser ser abençoada é bom que eu peça isso a umas das pessoas mais santas e puras que eu conheço: meu bob pai. "Bom dia" sem "'abença', painho" para ele é a mesma coisa que "bom, seu grande filho da puta!"

- Bom dia, painho.
- Bom dia, Luciola.
- ...
- CADÊ A ABENÇA?! CADÊ A ABENÇA?! OW, POVO MAL EDUCADO! O QUE EU FIZ PRA MERECER ISSO, MEU DEUS? PORRA! PUTA QUE PARIU!

Pronto! Eu começo a suar, perco o controle do esfíncter e, entre lágrimas, tento reverter a situação. Tarde demais! Ele já amaldiçoou as próximas três gerações da família. Ele fica um pouco mais calminho quando eu digo que peço a benção diretamente a Deus nas minhas rezas [anuais]. Apesar dele achar absurdo a idéia de pedir benção a Deus e não a ele, ele se acalma um pouco.

- Bom dia, mãezinha!
- Bom dia, meu amor.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 9:46:52 PM

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Quinta-feira, Março 30, 2006

Hoje de manhã enquanto Deus, cheio de tédio, coçava o seu saco sagrado Ele pensava "Ow, meu Eu, qual criatura vou testar hoje? Já sei. Aquela de cabelo feio ali" e apontou para mim. Porque hoje eu sofri.

Hoje de manhã fui ao cabeleireiro. O relógio ainda não havia alcançado a nona hora do dia e a única cabeleireira disponível encontrava-se gripada. Eu ainda não vivi muito, mas sei que gripe + sono + salário baixo = mal atendimento. Fui fazer uma singela escova progressiva [o cara que souber do que estou falando ganha... ganha um biscoito]. Bom, ela começou a escova. Deu duas tapas na minha cabeça, rodou a cadeira, aplicou um creme fedido na minha cabeça e nos meus braços. Nos braços foi sem querer mesmo, apesar dela sequer ter pedido desculpa.

Entre uma aplicação e outra ela espirrava na minha cabeça. Eu nunca havia feito escova progressiva e achei que catarro fizesse parte do processo, tudo bem. Uma hora e quarenta e cinco minutos depois da primeira parte, passamos para o secador. Pronto! Agora vou desabafar! Não existe aparelho no mundo que me ponha mais medo que o secador de cabelo. Qualquer aula de História Moderna me é preferível àquilo. Eu sofro. Quase choro! Saio suada, de orelhas queimadas e cara vermelha. E o filho da puta ainda pergunta por que tenho medo de chuva! Não é medo de desfazer a escova, é medo de fazer!

A obra já estava ficando pronta. Pedi humildemente à moça que deixasse meu cabelo repartido ao meio. Ela passou o pente de qualquer jeito na minha cabeça e achou que ficou bonito. Minha amiga, se aquilo foi no meio, eu nem quero imaginar aonde é seu cu.

Depois do martírio, finalmente saí do salão. Aliviada, apesar de "um pouco" mais pobre, fui comprar calcinha na Marisa - porque toda informação é válida. Depois tive que ir direto a Universidade devido à hora avançada. Almocei por lá mesmo, em Samuel.

O assunto da bancada da lanchonete era sobre... err... "seboseiras". Eu, no meu cantinho, só mexia a boca para mastigar. Uma gorda loira e maluca, tudo ao mesmo tempo, disse que odiava espirro dos outros. Eu balbuciei timidamente, e para mim mesma, um "nem me fale", mas o ouvido biônico da desgraçada captou o desabafo e aqueles olhões felizes se direcionaram para mim. Sabe aquele povo triste que fica falando sozinho à espera de alguém que complete sua frase na fila do banco? Pronto. Era o caso da loira maluca faladeira e biônica gorda do balcão. E, apesar daqueles ansiosos olhões caídos no meu prato, eu não disse mais nada e calei a boca com feijão. Sábio Chico.

Antes de entrar na 406 fui atrás de um banheiro. Entrei em um e encontrei uma senhora parada no meio do banheiro com ar interrogativo. "Será que ela sabe onde tá?" E, quando eu ia caminhando para a cabine, a mulher agarrou meu braço e perguntou: "tem chuvisco aqui?" TCHAM RAN! Pronto! Estou cercada de mulheres doidas! Errr... Como? - perguntei; e ela abriu a porta de uma grande cabine [para deficientes] e perguntou de novo. "Tem chuvisco aqui?" Minha Nossa Senhora! Chuvisco, chuvisco... chuvisco... E lá estávamos nós dentro da cabine, cada uma procurando por algo. Eu olhava pro teto, pro chão. "Será que chuvisco é um gato?", mas ela só olhava pro teto. Então comecei a procurar por alguma nuvem. Sei lá, chuvisco!

Foi então que vi uma torneira conectada a um cano. Aaah! É CHUVEIRO! Putz! "Ah, não, minha senhora, aqui não tem chuvzz... Aqui não tem isso não". Eu bem lá ia corrigi-la, dizer que era chuveiro! Deixa a bichinha, tá perto de morrer. Ela se virou sem dizer uma palavra e saiu. Eu fiz xixi.


Postado por: Circo sem Futuro
Hora: 11:36:04 AM

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